Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Inglorious Basterds - Tarantino vai à guerra...(à sua claro)

O grande problema de Quentin Tarantino é ser...Quentin Tarantino. É obviamente um cineasta que se tem em demasiada consideração e joga com o facto de cada filme que lança ser esperado como the next big thing. É tanto o desejo de emular o passado e criar obra para marcar o futuro que o cineasta se esquece do mais importante. O presente e o miolo da história. E que em Inglorius Basterds está literalmente "desaparecido em combate"...

 

Arrancar escalpes na II Guerra Mundial. Assassinar altos membros do staff nazi numa sala de cinema em chamas (não, não vamos dizer quais membros....). Acabar com o conflito graças à intervenção de um esquadrão da morte de judeus com vontade de vingança. Tudo isso caiu que nem uma bomba entre o grupo de admiradores de Tarantino e foi suficiente para voltar a aclamar o cineasta pelo seu arrojo e genialidade. O cineasta tem todo o direito de fazer a sua própria II Guerra Mundial, aí não está a fraqueza de Inglorious Basterds. Só a sua falta de interesse. O ponto negativo da obra está na sua própria mecânica.

 

Como sempre - desde que funcionou Pulp Fiction, sem dúvida um dos filmes mais marcantes dos anos 90 - QT quer tudo no mesmo saco e não repara que este se fura com facilidade se não se controla o peso. De golpe emula o cinema alemão dos anos 20 e 30, o giallo italiano com as suas cenas de violência gratuitas e o cinema de guerra que não acaba realmente por sê-lo. Que Tarantino ama o cinema, isso não se discute. Que adora autores desconhecidos, também não. Que passe um filme inteiro a limitar-se a fazer a apologia desse cinema é mais grave. Hoje em dia é um pastiche qualquer trabalho do realizador, uma mescla de obras de outros (até o titulo do filme é uma homenagem a um cineasta italiano que por lá aparece de soslaio). Desapareceu o toque de irrevência inicial que fazia a obra do autor interessante. Hoje QT é menos um autor individual e mais um desses artistas que monta uma exposição com peças recolhidas na rua e diz que lhe dá um contexto. Em Inglorious Basterds nem esse contexto se vê.

 

Tecnicamente percebe-se que o filme é obra de um profissional (a sequência inicial que despoleta toda a acção é bem orquestrada e os momentos finais são uma catarsis evidentemente cativantes). Mas o miolo volta a falhar, tal e qual como já tinha acontecido com as suas anteriores aventuras cinéfilas. Do esquadrão da morte pouco ficamos a saber, são personagens vazias e sem profundidade moral suficiente para captar e apaixonar o espectador. O ser mais humano é, ao mesmo tempo, o mais desprezível (notável trabalho de Christop Waltz, premiado em Cannes pelo seu Coronel Hans Landa) e o único momento de interpretação que consegue superar a mediania apesar da qualidade do elenco escalado ao minimo detalhe. Mas se Tarantino passou a ser mais um copy-paste e menos um autor esse entende-se na própria dimensão da representação. Em Reservoir Dogs e Pulp Fiction o poder dos diálogos dava a praticamente todas as personagens um interesse extra. Hoje a forma parece suplantar o conteudo e tal como passou em Kill Bill as personagens são meros veículos para a acção.

 

O tom fantasista e delirante do filme é original mas mesmo aí soa a forçada a homenagem a The Dirty Dozen e à série de filmes bélicos B dos anos 50 e principios dos 60. Os diálogos em distintas linguas dá um tom de realismo apreciável mas volta a ser uma questão mais de forma do que conteúdo. A critica já fez o seu trabalho e o próprio Tarantino não se imiscuiu de catalogar o filme como um dos seus melhores. O que no caso de QT, com apenas sete filmes em vinte anos, não é propriamente um êxito descomunal. Como sempre o realizador consegue por gregos contra troianos e como sempre será o futuro a ditar a sentença. Porque hoje, Inglorious Basterds é um dos filmes mais desinteressantes que circulam pelas salas de cinema.

 

Classificação -

 

Realizador - Quentin Tarantino

Elenco - Brad Pitt, Christoph Waltz, Diane Krugger

Produtora - Universal

Categorias:

Autor Miguel Lourenço Pereira às 14:29
Link do texto | Comentar | favorito
4 comentários:
De Tiago Ramos a 14 de Setembro de 2009 às 15:31
Para mim é superior a Pulp Fiction. (Sei que vou contra a opinião do geral e posso ser considerado imaturo devido a esta afirmação). É uma obra-prima do cineasta, bastante arriscada e que resultou bastante.

Mas o melhor de todo o filme é o excelente casting!


De Miguel Lourenço Pereira a 15 de Setembro de 2009 às 11:41
Não é imaturo Tiago, o cinema é arte e a arte é subjectiva e tem todo o direito a opinar que o IB é melhor que o PF sem ser criticado por isso. Cegos são os que acreditam no unanismo e que transformam qualquer obra artistica (cinema, musica, pintura, literatura, ...) em obrigatória como fazem alguns fãs ou supostos criticos quando a beleza da arte está em ser pessoal e intransmissivel.

Um abraço


De gus a 19 de Setembro de 2009 às 13:21
Fantástico filme! Diálogos excelentes com um crescendo de tensão, realização segura e energética com alguns planos maravilhosos, excelentes performances dos actores, bom enredo, boa banda sonora. Nunca poderá ser dado 2 estrelas em 5 a um filme destes!!!!! O gosto é subjectivo, mas na crítica de um filme o gosto deverá ser apenas um dos pontos na avaliação!!!!!!! Claro que se quisermos manter um blog totalmente amador com as opiniões pouco cinéfilas sem análise de todas as particularidades de um filme mas apenas o gosto pessoal, então sim, duas estrelas é bastante bom, e provavelmente o Van Helsing merece 5!!!!! É a crítica especializada que temos e merecemos eheh


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Setembro de 2009 às 08:45
Caro Gus,

Repito uma vez mais as minhas palavras mas entendo que para cinéfilos de palas nos olhos seja complicado entender que qualquer arte se baseia na pura subjectividade. Um filme pode ser competente tecnicamente sem acrescentar nada de novo. Isso significa vulgaridade. Quanto aos termos que utiliza (Fantástico filme, diálogos excelentes, excelentes performances, bom enredo, boa banda sonora) está precisamente a citar gostos particulares seus. Apenas e só. Não tem nada de objectivo para dizer.

O cinema é arte e como tal amado e odiado e isso deve ser sempre respeitado. O insulto básico é espelho de quem o pratica. O resto é indiferente!


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