Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Essa inesquecível paixão chamada Paris...

A inesquecível Paris. A sempre deslumbrante e inesquecível Paris.

A cidade das luzes, do amor, das pontes, da boémia, de filósofos e artistas, de autores e guerreiros, de heróis e vilões. A cidade das pessoas. Da Humanidade. Simplesmente Paris. A cidade mais cinematográfica de todas as cidades, de todos os países, de todas as galáxias. Com o rio serpenteante, as pontes imponentes e as ruas, sóbrias, cheias de vida, Paris é o mosaico do Ser Humano. Sempre houve e sempre haverá Paris. O cinema sabe-o também, como evitá-lo? Como evitar a pura magia de uma cidade que já teve mil e um rostos, retratos, fotografias, fotogramas e que continua nova e surpreendente a cada esquina.

 

Da Nouvelle Vague falou-se muito sobre técnica e talento, mas não o suficiente sobre Paris. Centro congregador do grupo na mitica Cinematheque Française de Henri Langlois, a Nouvelle Vague era da rive droit e filmou como ninguém os Champs Elyses (ah, A Bout de Soufle..quem não desceu aquela avenida a gritar New York Herald Tribune?), os jardins, a Paris do passado e do presente daquele Maio quente e fino que Bertolucci nos teimou em esconder no seu problemático The Dreamers. Nunca a cidade foi tão retratada com devoção como naquela década, onde, por momentos, voltou a ser a capital do Mundo. Essa Paris do lado direito, essa Paris sóbria e virada para o futuro, onde as rasgadas avenidas tornam magnificos os caminhos que naqueles épicos históricos são ainda de lama e pedragulhos soltos. Essa Paris que já tinhamos visto no passado em La Reine Margot com esse Louvre a estrear sob o sangue dos huguenotes. Ou essa Paris desprezada pelo Rei Sol, fétida e imunda, a mesma que lançou a liberdade, igualdade e fraternidade para as ruas e que Rhomer se atrevessou a retratar em cartão..sempre essa Paris do lado direito, o lado do passado e do futuro. Essa Paris também imortalizada por ausência em Casablanca (afinal We always have Paris...), essa  Paris que afinal também é de Besson (Subway), Garcia (Place Vendome), Kassowitz (La Haine)... 

 

E a rive gauche?

Que faríamos nós sem esse rio que divide e une. Que rasga e cose. Sem essa margem rebelde.Sempre essa bela margem de irreverência, a margem dos artistas e estudantes, dos pensadores e filósofos. A margem dos idealistas, dos irreverentes autores que procuram demarcar-se do establishment, o mesmo a que se renderam os revolucionários. Pelas ruas do Quartier Latin, de olhos postos na mãe de todas as catedrais, essa Nossa Senhora de Paris que Vitor Hugo imortalizou com a fineza de um retratista, vimos mil e um momentos a desenrolar-se pelas ruas percorridas pelos universitários que tentaram (e tentarão, inevitavelmente, é o karma da cidade) mudar o Mundo. A rive gauche tem o coração a palpitar da cidade. A oeste o coração das finanças que hoje a nova filmografia gosta de publicitar. A leste a velha cidade, a porta para o resto de um país que sempre viveu entre o ódio e admiração à sua capital. Pelos policiais de serie B (alguém se lembra de Bob Flambeur?) ou do cinema sério de Rene Clair, Clouzout ou Renoir, há sempre um esgar de desprezo e admiração pour le otro cotê. Esquecendo-se também que é aí também que melhor se pode apreciar a outra banda.

 

Mas Paris é mais, sempre mais, do que duas margem destinadas a amar-se e odiar-se. O cinema soltou-se do rio - que homenageou vezes sem conta - e declarou o amor eterno a toda a cidade. Paris Je T´Aime apenas confirmou as nossas suspeitas. O cinema está perdidamente apaixonado pela cidade e tem a tipica vergonha de adolescente em demonstra-lo, Por isso tanto a pinta como luminosa e de tons azuis, como a enegrece e lhe leva as chuvas torrenciais, o frio e o mau tempo. Tanto faz. É Cinema. É Paris. É uma cidade maior do que os sonhos e que vive muito para além dos postais. De Sacre Couer observa-se Paris com a contemplação divina de uma paisagem onírica. Se Montmarte ainda hoje vive escondida no coração de cada um de nós é também por essas inesqueciveis sequências que nos levam pelas labirinticas ruas que deram cor ao Moulin Rouge, ao retiro dos artistas da Belle Epoque. É também pelas desventuras de Amelie e o seu Deux Moulins ou pelo olhar cínico de Irma la Douce.

 

Na cidade que ama o cinema tanto quanto o cinema ama a cidade, respira-se a cada momento aquele frame inesquecível que faz de qualquer obra algo imortal. De Hotel du Nord, essa primeira incursão nas labirinticas ruas até Paris Je T´Aime, já se fizeram mil e uma declarações de amor. Serão sempre insuficientes. A Paris, há que apaixonar-se sempre uma vez mais. É inevitável

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 11:14
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