Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Estreia - Duquesa de Cristal

Keira Knightley parece querer especializar-se nos papeis de época. Depois de ter despontado em Pirates of the Caribeann, a actriz já esteve na Inglaterra dos inicios do século XIX em Pride and Prejudice e nos dias da I Guerra Mundial em Atonement.

Com The Duchess, volta ao seu terreno de eleição, os dramas de época.

 

Knightley é Georgina, duquesa do Devonshire, famosa pela sua vida extravagante para a época. Apesar de elogiada pela sua beleza, a duquesa vive infeliz pelo facto do seu marido preferir a cama da sua amante ao leito conjugal. Quando o marido decide trazer a amante para viver na sua mansão, ela decide então procurar o favor de um jovem e ambicioso politico, despertando um escandalo como a sociedade de então não tinha conhecido.

 

Com todos os tipicos ingredientes do filme de época, The Duchess, dirigido por Saul Dibb, volta a trazer para a ribalta a actriz britanica, mas também de uma série de actores britanicos (de Ralph Fiennes a Charlotte Rampling) que se sentem como peixes na água neste género tão tipicamente britanico.

 

Nesta semana as novidades em cartaz são:

 

Nicholas Cage não parece estar interessado em despreender-se da imagem do heroi de acção de filmes de muito orçamento e fracos resultados. Bangkok Dangerous segue a mesma fórmulas que outros filmes do género. Um intrépido mercenário que procura obter o cobiçado prémio que tem à sua espera sem olhar a meios. Nem que para isso tenha de deixar atrás de si um verdadeiro rastro de destruição. A direcção é de Danny Pang.

 

Cidade dos Homens recupera o universo da série televisiva de 2002 de Fernando Meirelles que surgiu após o retumbante sucesso de Cidade de Deus. Dois jovens de uma favela do Rio de Janeiro tentam descubrir os seus pais desaparecidos e mergulham num mundo onde a ilusão e a miséria caminham lado a lado. A direcção está a cargo de Paulo Morelli.

 

Madagascar: Escape 2 Africa marca o regresso da pandilha de animais que a DreamWorks lançou há dois anos para concorrer com os sucessos da Pixar. Desta vez o leão, a zebra, a girafa e o hipopótamo querem sair da ilha onde foram parar depois de fugir do zoo onde estavam. Mas em vez de conseguirem voltar à civilização embrenham-se em pleno coração da savana africana. Com a habitual voz de alguns dos nomes mais populares de Hollywood (Sascha Baron Coen, Jada Pinkett Smith, Ben Stiller), o filme é a estreia da semana para os mais novos.

 

My Best Friend´s Girl tem os tipicos ingredientes de comédia ligeira para o público adolescente feminino. Dois habituais do género (Jason Biggs e Kate Hudson), um realizador semi-desconhecido (Howard Deutch) e uma mistura de humor e romance como só Hollywood consegue criar.

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 00:43
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Depp em Wonderland

Enquanto decorrem as filmagens de Alice in Wonderland, o novo projecto de Tim Burton que mistura animaçao 3D e imagens reais, um site e fas de Johnny Depp divulgou aquela que é provavelmente a primeira imagem do actor como Mad Hatter, o Chapeleiro Mágico.

 

Uma das mais curiosas personagens da história de Lewis Carroll - e das mais polémicas também - Mad Hatter foi, desde o primeiro momento, uma das peças nucleares de Burton a ponto de exigir à productora que este papel pertencia por exclusividade a Depp, o seu actor fetiche com o qual vai assinar o seu sétimo filme.

 

O look excentrico de Depp encaixa bem no visual habitual das personagens do cineasta canadiano que continuará as filmagens até meados do próximo ano, esperando ter o seu próximo projecto pronto para estrear no Natal de 2009.

 

 

 

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 13:55
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Estreias - Pesos pesados!

 

O filme conta a história de relação de um astuto agente secreto, que desde a central da CIA controla as mais complexas operações secretas no Médio Oriente, e do seu agente no terreno. Um intenso jogo do gato e do rato onde a verdade é a única palavra proibida. Herdeiro de filmes como Spy Game ou The Recruit, o filme tem as habituais marcas da casa de Ridley Scott. Muita acção, drama e momentos de grande intensidade emocional são o prato forte de uma das estreias mais esperadas do ano.

A critica ao filme podem encontra-la aqui.

 

Esta semana estreiam igualmente:

 

The King of California, filme dirigido por Michael Cahill, conta com Michael Douglas e Evan Rachel Woods nos principais papeis. É a história de um pai altamente instável emocionalmente que depois de sair de um manicómio tenta convencer a filha de que nos suburbios da sua cidade está encerrado um imenso tesouro em ouro dos tempos dos galeões espanhois.

 

Mama´s Boy é uma cómedia ligeira de Tim Hamilton com Diane Keaton como a mãe controladora de um adolescente que procura descobrir os prazeres da idade adulta.

 

Wackness segue um jovem adolescente que no Verão de 1994 se dedica a vender marijuana para pagar os estudos enquanto se encontra envolvido na emergente cultura hip-hop que começa a dominar a cidade de Nova Iorque. Filme dirigido por Jonathan Levine com Ben Kinglsey e Famke Janssen nos principais papeis.

 

Elegy conta a história da relação de um professor universitário de renome com uma estudante capaz de o surpreender quando ele já não acreditava ser possível encontrar um novo desafio tão perto do final da sua vida. Adaptação da obra de Philip Roth The Dying Animal, o filme é dirigido por Isabel Coixet e protagonizado por Ben Kingsley. No elenco estão também Patricia Clarkson e Penelope Cruz.

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 00:39
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

80 anos de Mickey

O rato mais famoso da história cumpre 80 anos.

Esteve para chamar-se Mortimer, nasceu de uma crise criativa (e financeira) de Walt Disney (que tinha acabado de perder para uma productora a sua personagem "estrela", um simpático coelho) e tornou-se num dos grandes icones da história do cinema e do século XX.

 

É a figura estelar do maior império cinematográfico, preside às Disneylands e lidera o número de personagens mais galardoadas com Óscares, graças ás multiplas curtas-metragens premiadas e criadas pela equipa do cineasta. De Steamboat Willie, o seu primeiro filme, a Fantasia, a grande obra prima da idade de ouro do estúdio, Mickey Mouse incorporou o espirito da era dourada do cinema de animaçao.

 

Parabens ao rato. Parabens ao criador. Parabens ao mundo de fantasia e ilusao que fizeram parte dos sonhos de milhoes de jovens ao longo dos últimos 80 anos...

 

 

 

 

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 16:24
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Melhor Filme

Está claro que os Óscares não são um prémio de excelencia. Caso contrário The Dark Knigth (TDK) teria já a sua nomeação assegurada. O filme de Christopher Nolan é um portentoso exercicio cinematográfico e para além de ter conquistado a critica mundial, revelou-se um dos maiores fenómenos de bilheteira de sempre. No entanto TDK não é o filme convencional que costuma triunfar (ou ser nomeado) nos prémios da Academia. É um filme de super-herois, uma sequela de uma saga já com vários anos (se bem que agora reinventada) e para muitos continua a ser visto como um simples blockbuster de acção. Demasiados anti-corpos dentro de um grupo de votantes com uma média de idades muito elevada que deixam uma eventual nomeação no limbo entre o desejável e o improvável.

 

Uma realidade que se tem vindo a provar inequivoca na última década é que Hollywood abriu as portas ao cinema “indie”. De há uns anos para cá é garantido que, pelo menos um filme, dos cinco nomeados, preenche esta “quota”. Passado em Sundance, director de culto no meio artistico, baixa produção e argumento original, costumam ser as pedras de toque deste tipo de filmes. Depois de Juno, Litlle Miss Sunshine, Crash, Sideways ou Lost in Translation, este ano o titulo de filme “indie” a ter em linha de conta é de Slumdog Millionaire. A história não decorre nos habituais subúrbios norte-americanos. É um épico de amor e integração racial da comunidade indiana em Inglaterra, e vem assinado por um cineasta de “culto”, Danny Boyle. O filme tem tido críticas excelentes e apesar de fugir um pouco ao paradigma de filme indie, tem grandes possibilidades de conseguir a nomeação.

 

O seu rival pela quota “indie” será, certamente, Rachel is Getting Married. Assinado pelo já vencedor de um Óscar, Jonathan Demme (Silence of the Lambs), o filme conta a história de uma familia disfuncional que se junta para o casamento de uma das filhas, Rachel. Mas é a sua irmã, uma toxicómona irreverente que aparece para mudar radicalmente o tom da festa. O elogiado desempenho de Anne Hathaway colocou o filme na ribalta, e é uma boa hipótese para os amantes dos tipicos “indies” de Sundance.

 

Clint Eastwood tem dois filmes em 2008. Sim, dois filmes! A história não é nova, mas aqui não se trata do diptico Flags of Our Fathers-Letters From Iwo Jima (o primeiro elogiado em Novembro, o segundo nomeado em Janeiro). São duas obras com marca da casa daquele que continua a ser o “último dos clássicos”, mas que se mexem por terrenos distintos. The Changeling é a história de uma mãe que na busca pelo seu filho desaparecido põe em xeque toda a administração social da Califórnia dos anos 20. Angelina Jolie protagoniza e “rouba” o filme, diz quem o viu. A vertente realizador-actor de Eastwood, que não se manifestava desde o consagrado Million Dollar Baby é explorada em Gran Torino. O filme é uma perfeita incógnita. Mas como ultimamente tudo o que Eastwood toca tem o condão de se tornar em ouro, já fez com que se tornasse num potencial nomeado. Resta saber se o cineasta consegue cumprir uma vez mais.

 

2008 ameaçava tornar-se em mais um ano de filmes policos (politizados). Em ano de eleições, tudo gira à volta dos corredores do poder, mas, de momento, parece que os filmes que apontavam baterias tem tido dificuldades em manter-se à tona. Oliver Stone regressava depois do fracasso World Trade Center com um biopic sobre a origem e a subida ao poder de George W. Bush. O filme W. estreou há pouco nos Estados Unidos e não conseguiu agradar nem a gregos nem a troianos.Já Gus van Sant continua a sua veia polémia ao enveredar pela história de Harvey Milk, o primeiro presidente da camara assumidamente homossexual na história dos Estados Unidos. Por último Frost/Nixon, resultado das entrevistas que o jornalista britanico Norman Frost realizou ao já então destituido Richard Nixon, tinha fortes possibilidades de se destacar. Mas Ron Howard voltou a mostrar não estar à altura das expectativas e as suas possibilidades baixaram bastante nos últimos dias.

 

Resta mencionar a “elite” dos titulos que habitualmente conseguem preencher os requisitos habituais dos nomeáveis. Há o épico histórico ambicioso, que finalmente Bazz Luhrmann conseguiu realizar sobre a sua terra natal, Australia. Há o drama de Robert Yates sobre a vida de um casal de classe média norte-americano dos anos 50 que se depara com a estagnação da sua vida de casal à medida que se vão consolidando na sociedade suburbana do pos-guerra em Revolutionary Road. Um duelo com piscar de olhos às criticas apontadas recentemente à igreja Católica norte-americana, e ao seu historial de absuos, em Doubt. E a original história de um homem que começa a rejuvenescer rapidamente, assinada por David Fincher, The Curious Case of Benjamin Button. No final de contas, parecem ser estes os filmes que mais unanimidade tem conseguido.

 

Aparentemente descartados (se bem que nem tudo é o que parece) está o biopic de Steven Soderbergh sobre a vida de Ernesto Guevarra, Che. E também o premiado The Wrestler, que marca o “comeback” de Mickey Rourke. Ficam no ar as dúvidas relativamente a Defiance (Edward Zwick não parece ser muito popular em Hollywood apesar de que as histórias sobre o Holocausto tem-se revelado muito “premiáveis”) e The Soloist, que tal como The Road, corre o risco de ser adiado para o próximo ano. Filmes em que, tanto Robert Downey Jr como Viggo Mortensen, dois habituais “outsiders”, assinam interessantes desempenhos.

 

AS APOSTAS

Revolutionary Road

The Curious Case of Benjamin Button

Australia

Slumdog Millionaire

The Dark Knight

 

ALTERNATIVAS

Gran Torino

Milk

Rachel is Getting Married

Doubt

Frost/Nixon

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 15:44
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Melhor Realizador

Como chefe de orquestra de um filme, é habitual que o realizador secunde o filme na nomeação. Uma consagração natural, já que o cineasta é o grande artifice da obra cinematográfica. Todo o trabalho passa pelas suas mãos, da revisão do argumento à direcção de actores, passando pela famigerada sala de edição. No entanto a Academia tem-nos habituado nos últimos anos a guardar um lugar especial (podem ser dois até, em alguns casos) para que cineastas de culto (habitualmente estrangeiros ou “autores” alternativos ou veteranos norte-americanos) possam igualmente ser nomeados, apesar do menor impacto do seu filme. Este ano dificilmente fugirá à regra, até porque há uma série de realizadores de nome que pode conseguir a sua primeira nomeação. Resta saber para onde nos levam as ondas…

 

Sam Mendes surpreendeu tudo e todos ao chegar, ver e vencer. Estavamos em 1999 e o seu American Beauty não deu hipóteses à concorrencia. Oito anos depois (e com um Road to Perdition malfadado pelo meio), Mendes volta aos dramas urbanos, desta feita com base numa história de Yates e unindo de novo, e pela primeira vez depois de Titanic, a sua mulher Kate Winslet e Leonardo Di Caprio. O filme parece ser bastante consistente e um dos favoritos do ano. O normal é que Mendes esteja no Kodak Theather junto com as suas duas estrelas mais cintilantes.

 

Bazz Luhrman tem sido visto como um visionário alternativo, capaz de arriscar e muito, quando outros hesitam. Depois de Moulin Rouge e Romeo+Juliet, o cineasta andou afastado da ribalta, procurando apoio para a concretização do seu sonho, um épico sobre a sua terra Natal. Agora que o conseguiu, e que juntou dois dos maiores nomes do cinema “ausie”, Nicole Kidman e Hugh Jackman, as coisas parecem voltar a sorrir-lhe. E se o filme estiver nomeado, dificilmente ele não estará.

 

Não interessa que tenha ou não um filme nomeado. Clint Eastwood tem practicamente uma vaga garantida. É mais que uma questão de qualidade ou homenagem. O estatuto do cineasta permite-lhe conseguir um apoio maior que qualquer cineasta na corrida. E além do mais, nada exclui que o seu truco na manga, Gran Torino, não possa vir a ser um dos filmes do ano. O provável é que se repita a mesma situação que se verificou em 2006.

 

David Fincher é um dos pesos pesados do cinema arrojado e de autor que se faz em terras do tio Sam. Assinou obras tão contundentes como Se7en ou Fight Club, mas nunca teve as boas graças da Academia. Este ano o seu The Curious Case of Benjamin Button é, pela primeira vez, levado a sério por todos os sectores de Hollywood. Basta o filme ter o habitual selo de qualidade do cineasta e será dificil evitar ve-lo na noite mágica dos Óscares.

 

Christopher Nolan está, há alguns anos, a demostrar que é um dos mais espectaculares cineastas no activo. A sua última pérola, The Dark Night, é uma verdadeira obra de arte e fica no ar a ideia de que será dificil encontrar algo melhor ao largo do ano. No entanto, a verdade é que há muitos anti-corpos em Hollywood contra TDK. E isso pode jogar contra si. Mas há um forte sector que acredita que, mesmo que o filme fique fora dos cinco finalistas, o seu trabalho pode ser finalmente recompensado com uma nomeação como Melhor Realizador.

 

A espreitar a nomeação com fortes possibilidades estão todos os cineastas que conseguiram filmes que podem marcar positivamente o ano. A Academia costuma trocar muitas vezes as voltas ao guião e pode haver nomeados surpresas. Um deles é Danny Boyle, pelo seu Slumdog Millionaire, que tem conseguido uma importante base de apoio, especialmente junto dos membros britanicos. O mesmo se passa com Jonathan Demme, que já é um conhecido destas andanças e a quem não importaria nada voltar ao palco.

 

Por sua vez não se podem descartar de imediata os nomes mais consagrados de Steven Soderbergh (Che), Gus van Sant (Milk), Oliver Stone (W.) ou Ron Howard (Frost/Nixon). Fica no entanto a ideia que estamos diante de um ano mais atipico onde a surpresa pode vir dos menos consgrados (mas igualmente elogiados) Darren Aranofsky (The Wrestler, premiado em Veneza), Edward Zwick (resta saber se continua a ser olhado de lado) ou John Patrick Shanley (Doubt).

 

 AS APOSTAS

Sam Mendes (Revolutionary Road)

Bazz Lurhmann (Australia)

Clint Eastwood (Gran Torino)

David Fincher (The Curious Case of Benjamin Button)

Christopher Nolan (The Dark Knight)

 

ALTERNATIVAS

Danny Boyle (Slumdog Millionaire)

Gus van Sant (Milk)

Jonathan Demme (Rachel is Getting Married)

John Patrick Shanley (Doubt)

Darren Aranofsky (The Wrestler)

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 15:46
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Melhor Actor

Dentro deste universo de prémios, aqueles que mais provavelmente conseguem escapar à dinamica da indústria, são os prémios dedicados à interpretação. Ao longo dos anos é fácil constatar um vasto leque de nomeados (mas também de vencedores) que brilharam em filmes com pequeno ou nenhum impacto noutras categorias. O papel do actor (são eles a maioria dos membros da Academia é preciso não esquecer), é altamente valorizado no cinema norte-americano, em muitos casos por encima do próprio realizador (enquanto na Europa continua a prevalecer o conceito do “autor”). E isso nota-se. Esa categoria tanto pode ser susceptível a mudanças contra a tendencia e ser uma competição extremamente equilibrado e excitante, como pode tornar-se extremamente previsivel se a dinamica se começa a establecer muito cedo (como sucedeu no ano passado tanto com Daniel Day Lewis como com Javier Bardem). Este ano, para já, a situação para ser de equilibrio, mas já há alguns nomes que parecem tomar a linha da frente.

 

Acompanhando a tendencia que tem vindo a criar altas expetactivas à volta do filme, também Leonardo di Caprio tem sido alvo de uma forte campanha de apoio. Afinal, estamos a falar de um dos mais populares e talentosos actores desta geração, que apesar de já constar com participações em filmes altamente premiados (Titanic, The Aviator, The Departed, …) conta apenas com duas nomeações como Melhor Actor (por The Aviator e Blood Diamond) e nenhuma victória. Uma carreira fulgurante mas bem programada e o protagonismo de um dos filmes que possivelmente vai conquistar mais adeptos neste final de ano, Di Caprio assume-se como um dos pre-favoritos.

 

Outro actor que tem também já uma larga carreira de sucessos é Sean Penn. Vencedor em 2003, o multifacetado actor/realizador esteve na ribalta o ano passado pelo seu filme, Into the Wild. Este ano regressa em força com a sua faceta de actor em Milk. O filme de Gus van Sant tem sido alabado e a onda "democrata" que invadiu os EUA pode jogar a seu favor. O papel é mais uma construçao de raiz de Penn, que dá vida ao primeiro presidente de camara assumidamente homossexual a triunfar numas eleiçoes em solo americano.

 

Em Veneza começaram a falar do “comeback” de um actor que nunca foi verdadeiramente uma estrela, mas que muito chegou a prometer. Depois de um passado desregrado, Mickey Rourke parece estar de volta, no papel de um boxeador também habituado a viver no fio da navalha que busca a redenção. A fórmula não é nova e já tem valido muitos prémios a actores com performances similares. E se Rourke nunca foi reconhecido como um grande actor, a verdade é que Hollywood derrete-se por poder readmitir no seu seio as ovelhas mais negras.

 

 

 

Apesar do filme ter perdido muita da força inicial (ou seja, antes de ter visto a luz do dia), ainda hoje os elogios a Frank Langella parecem nao ter fim. O veterano actor dá vida ao polémico Richard Nixon num filme em que opoe este a Robert Frost (tambem se elogia bastante o desempenho de Michael Sheen que pode, no entanto, cair para "secundariO"), um entrevistador britanico que decide trazer para a luz do dia a verdade sobre o caso Watergate. O filme de Ron Howard Frost/Nixon nao foi o sucesso esperado, mas o desempenho do actor pode fazer com que, pela segunda vez na historia (primeiro foi Nixon com Anthony Hopkins) um actor seja nomeado por dar corpo ao mais polémico presidente de sempre da história norte-americana. 

 

Richard Jenkins é praticamente um desconhecido para o grande público. Mas isso não faz dele um caso perdido. Aliás, todo o contrário. Jenkins parece ter-se tornado, nos últimos meses, num dos favoritos da critica “indie” graças ao seu emocionante desempenho no pequeno filme The Visitor. Uma história que junta um homem de meia idade de classe média que se ve um dia confrontado com um casal africano que vive no seu apartamento na cidade. O preconceito rapidamente é ultrapassado e entre ele e o jovem rapaz que lhe ensina a dar outro significado à vida. Um desempenho que pode dar o toque de surpresa num ano onde também há outros grandes nomes na corrida.

 

 

Entre esses há para já dois casos a ter em linha de conta. Os favoritos cujos filmes (e por conseguinte, as suas interpretações) ainda não sairão à luz do dia, e que dependem da boa ou má recepção dos seus filmes para brilhar. E os que já tiveram direito a estreia e, apesar das boas criticas, dependem do sucesso do filme para se manterem à tona.

 

No primeiro caso estão Brad Pitt e o seu papel em The Curious Case of Benjamin Button. Ninguém viu ainda a extravagante aventura de David Fincher, mas se o filme conseguir um sucesso significativo, certamente que Pitt poderá voltar a uma gala onde nao marca presença desde a sua nomeaçao como secundário pelo trabalho em 12 Monkeys. Também se fala claramente de Benicio del Toro, especialmente após a sua vitória em Cannes, mas o "seu" Che nao conseguiu ainda o impacto previsto e pode ser que os problemas de distribuiçao e a divisao de um filme em duas partes o prejudique.  Hugh Jackman e o seu anti-heroi de Australia ou o próprio Clint Eastwood e a sua performance em Gran Torino (apesar de que Hollywood sempre teve dificuldades em aceitar o brilhante cineasta como um talentoso actor) também sao nomes a ter claramente em conta. No outro lado da barreira encontramos Josh Brolin, aplaudido pelo seu desempenho como George Bush en W., filme que no entanto teve criticas muito secas o que pode jogar contra si.

 

Fora destas contas parecem estar já nomes que chegaram a soar como fortes candidatos. Christian Bale e o seu excelente Batman em The Dark Night foram superados pela força do desempenho do malogrado Heath Ledger e consta em poucos boletins como possível nomeavel. O mesmo passa-se agora com Dev Patel, o protagonista do aplaudido Slumdog Millionaire, depois de ter sido apontado como uma possível surpresa. Já Robert Downey Jr vive no limbo para saber se o seu The Soloist estreará ainda este ano (o mesmo se passa com Viggo Mortensen em The Road) e Daniel Craig que espera pelo julgamento ao seu final de ano (conta com o previsivel sucesso comercial Quantum of Solace e o esperado Defiance).

 

 

AS APOSTAS

Leonardo di Caprio (Revolutionary Road)

Sean Penn (Milk)

Mickey Rourke (The Wrestler)

Frank Langella (Frost/Nixon)

Richard Jenkins (The Visitor)

 

ALTERNATIVAS

Brad Pitt (The Curious Case of Benjamin Button)

Benicio del Toro (Che)

Clint Eastwood (Gran Torino)

Hugh Jackman (Australia)

Dev Patel (Slumndog Millionaire)

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 15:47
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Body of Lies - Verdades complexas

No mundo de encruzilhadas em que vivemos, palco de uma guerra de civilizações que ninguém quer verdadeiramente assumir, é complicado tomar partido se não se é um fanático. Fanático religioso ou político, o resultado é o mesmo. O mais provável é encontrarmo-nos no limbo, no coração deste conflicto que afecta mais a uns que a outros mas que acaba sempre por nos afectar a todos.

 

Ridley Scott (que já tinha viajado ao Médio Oriente numa história muito similar de confrontos morais e éticos no meio de uma guerra religiosa em Kingdom of Heaven) é um cineasta corajoso. De boas intenções. Mas também ele vive no limbo, neste caso, num limbo criativo que tem prejudicado as suas últimas produções.

Tem uma boa história por contar, mas falta-lhe um pouco a forma certa para lhe dar vida. Body of Lies tem uma boa história. Não, tem uma excelente premissa. Roger Ferris, um agente operativo no terreno, ve-se confrontado com os jogos politicos nos bastidores e a miserável realidade na rua durante a guerra do Iraque. O seu mentor, Ed Hoffman, um especialista da CIA, controla os seus movimentos à distancia e envia-o para a Jordania, onde o objectivo é capturar o mentor de uma série de atentados terroristas que varrem capitais europeias. Aí, ele vai perceber que há valores mais importantes que o sucesso imediato, mas fundamentalmente, que esta guerra não é a sua…nem a da maioria das pessoas que sofrem com ela na pele.

 

O problema que está por detrás deste bom filme que podia ter sido um excelente filme, é que apesar de ser altamente dinamico e cativante (o oposto do anterior filme de Scott, American Gangster, excessivamente lento e aborrecido) não consegue dar o salto para outra dimensao. Os volte faces na historia são bem planteados à primeira vista, mas carecem de mais força. E apesar do twist final funcionar bastante bem, atrás há algo que fica sempre a faltar. No entanto Scott está aqui mais perto dos seus maiores sucessos (Gladiator, Black Hawk Down, …) do que dos seus últimos projectos. E isso deve-se não só ao óptimo guião de William Monahan (o mesmo por detrás de The Departed…e isso Di Caprio volta a notar na pele), mas também no excelente elenco que escolheu para dar corpo a esta história.

 

Frente a frente, dois dos maiores actores da actualidade.

Leonardo Di Caprio está numa fase espantosa da sua carreira (espera-se com muita curiosidade por Revolutionary Road), e confirma-o totalmente com este seu papel de agente atormentado pela necessidade de cumprir com uma missão que, começa a perceber, não é tão justa como acreditava ser. O jovem (continua sem aparentar os já 34 anos que tem) actor mantém a mesma dinamica de acção que já tinha exibido em Blood Diamond, mas é o caracter mais implosivo da sua personagem, que faz que, tal como tinha acontecido em The Departed, ele seja, na actualidade, o actor que mais semelhanças tem com os grandes nomes da escola dos Actor´s Studio.

 

Por sua vez Crowe é Crowe. Um monstro em cena, seja qual for o filme, seja qual for o papel. O australiano está igualmente em óptima forma mas tambem se pode dizer que este é um papel menos exigente, o que no entanto, não o torna menos interessante. É no entanto importante referir que um dos trunfos do filme está no elenco “não-americano” que dá vida às personagens locais.

Um excelente e convincente Mark Strong, como o chefe da inteligencia jordana, Golshifet Farahani como a jovem iraniana que começa a abrir os olhos a Ferris ou Alon Abutbul, como o lider de uma perigosa célula terrorista, dão uma visão autóctone da situação e trazem ainda mais realismo a um filme que funciona bem como espelho do que se passa neste conturbado canto do Mundo.

 

Body of Lies é um filme claramente a ser visto e, acima de tudo, a ser reflexionado. Com uma clara mensagem politica (o que se está a passar no Médio Oriente e porque é que a abordagem ocidental falha em entender a civilização local) e uma série de avisos importantes. Está claro que o confronto entre civilizações existe, essencialmente porque não há uma ponte. E quem se encontra no meio do furacao está farto de ser visto como meros danos colaterais. Chegará um dia a hora em que tudo mude para que tudo fique na mesma. E no final de Body of Lies tudo muda. Mas o último plano não nos deixa iludir…volta tudo ao principio…

 

Classificação

 

Realizador – Ridley Scott

Elenco – Leonardo di Caprio, Russell Crowe, Mark Strong

Productora – Scott Free

Classificação – m/16

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 14:03
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