Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

As 10 performances de 2008

Continuando a rever os momentos mais marcantes do ano cinematográfico que chega agora ao seu final, aqui deixamos o nosso particular top das dez melhores performances do ano. Não se trata de uma eleição do melhor ou pior actor, senão uma escolha sobre os desempenhos mais impactantes e apaixonantes de 2008.

 

10

Belen Rueda (El Orfanato)

 

Actriz espanhola de formação televisiva (participou em algumas das séries mais populares da última década), Belen Rueda deu o salto para o grande ecrã numa fase já adiantada da sua carreira, em Mar Adentro. O seu papel permitiu-lhe vencer o Goya a Actriz Revelação de 2004 e confirmou o seu estatuto. Em El Orfanato, obra de estreia do cineasta Juan Antonio Bayona, a actriz dá corpo a uma mulher que regressa ao orfanato onde foi criada, na costa asturiana, para transformá-lo numa residencia para jovens com discapacidades. No entanto, no dia da inauguração, o seu filho desaparece obrigando-a a entrar numa espiral de busca e desespero que a leva a relembrar fantasmas antigos que pensava que tinham desaparecido. O seu desempenho é o coração do filme, arrebatador desde o primeiro suspiro, e apesar de não ser uma revelação pura e dura, é a confirmação de uma actriz que vive eternamente à sombra de nomes mais sonantes do cinema espanhol.

 

9

Ellen Page (Juno)

 

Surpreendeu meio mundo (o que viu o filme), com o seu poderoso desempenho em Hard Candy, onde se transforma numa maria-rapaz justiceira, com sede de sangue e vingança a transpirar por todos os poros, num jogo de insinuação que era tudo menos erótico, dado o seu inexistente sex-appeal. Foi-se o filme, ficou o nome na retina. E depois veio Juno. Mais um desses productos da escola do cinema indie norte-americano, cada vez mais a correr o risco de se tornar num genero previsivel. Mas em Juno todo o destaque esta de novo centrado numa jovem, ainda sem o tipico sex-appeal que se costuma procurar em actrizes da sua idade, que se debruça sobre a problemática de uma gravidez na adolescencia. O seu papel é o elo conductor do filme que tanto animou a critica e a sua nomeação ao Óscar de Melhor Actriz, foi a confirmação já esperada. Pode estar aqui uma grande actriz em potencia. De momento faltam um par de filmes para confirmarem o seu verdadeiro valor, mas a sensação de 2008 já tem nome próprio.

 

8

Michael Fassbender (Hunger)

 

O seu intenso desempenho faz lembrar Daniel Day-Lewis nos seus melhores dias (sim, vem-nos claramente à cabeça o In the Name of the Father). A sua abnegação e a raiva que transparece no seu olhar são a arma mais forte do filme do estreante Steve McQuenn, Hunger. A dramática história de Bobby Sands, o activista do IRA que se declarou em greve de fome para tentar quebrar a teimosia de Margaret Tatcher correu o mundo. O filme é um portentoso exercicio de drama e contenção, mas o catalizador de toda a narrativa (e de toda a angustia), é o jovem Fassbender, que antes desta aventura andava escondido na televisão e agora até já tem presença assegurada no novo filme de Quentin Tarantino.

 

7

Toni Servillo (Gomorra)

 

Num ano dourado para o cinema italiano, um actor serve de eixo conductor. Toni Servillo não só dá a cara por Gomorra, o polémico filme que desfaz as entranhas da máfia napolitana, como ainda teve tempo de ser o protagonista do outro grande sucesso italiano do ano, Il Divo. Um ano dourado de um actor, que como a maioria dos grandes interpretes europeus, sofre de uma doença chamada "anonimato agudo". Aos 50 anos chegou ao ponto mais alto da sua carreira, simplesmente sendo o que sempre foi. Um actor capaz de transmitir a garra e atracção habitual dos interpretes latinos, com uma notável contenção dramática só ao alcance dos melhores. Um nome de luxo para qualquer elenco e um dos nomes próprios do ano.

 

6

Ryan Gosling (Lars and the Real Girl)

 

Está-se a tornar num caso muito sério de talento tido em pouca consideração. Sempre foi assim a vida de Gosling. Uma das estrelas do clube Disney, foi sempre preterido pelos seus colegas à hora de assinar autografos (entre eles estavam Timberlake, Spears e Aguillera). Saltou ao cinema e levou aquilo a sério. Em The Notebook já mostrava um talento muito sério e com Half Nelson confirmou todas as suspeitas. Estava ali um Edward Norton em potencia. E porque lembra ele Norton? Porque também esse magnifico actor continua a viver a sua particular via sacra, relegado para papeis em produçoes que pouco tinham a ver com o seu brutal talento. O mesmo se passa com Gosling que é capaz, sozinho (bem, com a ajuda de uma boneca insuflavel), de fazer de uma história louca como Lars and the Real Girl, um filme divertidissimo e até mesmo tocante. Aqui está um dos actores mais geniais da sua geração, e vem-no provando, ano após ano. Continuamos à espera do productor/realizador que o comece a tomar mais a sério.

 

5

Christian Bale (The Dark Knight/3:10 To Yuma)

 

Quando todos falam de The Dark Knight, todos falam de Heath Ledger. É normal, é uma performance absolutamente alucinante, um romper das normas que abana qualquer um. Mas quem se lembra de Batman Begins, sabe que a verdadeira trave mestra deste ressuscitar do Caveleiro das Trevas chama-se Christian Bale. O actor gales que já foi menino prodigio e que se converteu num dos mais apaixonantes nomes da sua geraçao, tem tudo para se tornar numa estrela cintilante. E este ano provou-o uma vez mais com dois papeis assombrosos. Voltou a ser o Bruce Wayne em TDK, com a elegancia e soltura que já nos tinha habituado no filme anterior, mas, mais ainda, soube mostrar uma vez mais toda a sua polivalencia (estamos a falar do mesmo actor de The Prestige ou American Psycho) ao dar corpo a um rancheiro à procura da redenção aos olhos do seu filho em 3:10 To Yuma.  Um filme onde trabalha junto a outro "monstro", Russell Crowe, assinando um poderoso desempenho capaz de fazer corar o seu antecessor na versão original. Bale é mais do que um actor em potencia. É um astro à pedir um papel para explodir. A combustão já a iniciou há alguns anos, resta ver até quando dura o rastilho de polvora.

 

4

Javier Bardem (No Country For Old Men)

 

Conseguiu a proeza de conquistar público e critica com uma interpretação quase inexpressiva e sem dialogos. Um feito tendo em conta que a obra dos Coen é largamento apreciada mas poucos são os que realmente se concentram nos actores dos seus filmes (a prova é que de Brolin e Tommy Lee Jones pouco se falou). O seu Anton Chigurh é um personagem na escola dos Hannibal Lecter, um psicopata que se cre invencivel e que acredita ter o poder de determinar a morte de alguém como se fosse ele quem controlasse o destino. A sua assombração é uma constante em No Country For Old Men, e a verdade é que a sua performance capta mais a atenção do que propriamente a direcção cuidada e académica dos Coen no filme mais galardoado do último ano.

 

3

Johhny Depp (Sweeney Todd)

 

Será Johnny Depp capaz de fazer um mau papel? Sim. Mas que é raro, isso é. Não importa se é vestido de pirata, de cineasta de terceira linha ou de policia à paisana. Se tem tesouras ou demasiada maquilhagem na cara. Depp é, muito provavelmente, um actor unico na história do cinema. Original, intenso, com um sentido da comédia fora do vulgar, com uma capacidade para dramatizar soberba, é um actor completo. Como muito poucos. E claro, ter ao seu lado o seu mentor, amigo e parceiro de sempre, ajuda. Em Sweeney Todd, Depp canta, Depp corta cabeças, Depp ama e vinga-se. Do primeiro ao ultimo acorde, perdão, plano, o filme é Depp. Gótico, surrealista, maneirista, chamem-lhe o que quiserem. Mas se há algo capaz de fazer deste musical da Broadway um filme que vale a pena ver, esse é JD.

 

2

Daniel Day Lewis (There Will Be Blood)

 

O homem que deixou de ser um dia actor para se tornar sapateiro nas ruas de Florença, enquanto se preparava para Gangs of New York  esta de volta. Filho de uma familia mitica da interpretaçao britanica, teve toda a formação tque um jovem actor podia desejar. Mas desde sempre foi um espirito livre e fugindo às rigidas normas britanicas enveredou por outro caminho e começou a trabalhar com jovens cineastas nos anos 80 em filmes tão polémicos como My Beautiful Laundrette. Em 1989 venceu um Óscar de Melhor Actor mas a partir daí foi quando assinou os seus papeis mais memoráveis. Com uma personalidade única, esquivou-se à fama e àqueles que falavam de um "novo Brando" em versão inglesa e refugiou-se do mundo. Scorsese resgatou-o mas foi P.T. Anderson quem lhe voltou a dar um papel para Day-Lewis devorar. Uma construção impressionante, do primeiro ao último detalhe, fazem de Daniel Plainview, mais um rostro inesquecivel para a sua galeria. No meio disto tudo, o segundo Óscar de Melhor Actor, é um detalhe menor. Resta saber quantos anos vamos ter de voltar a esperar por um novo "show" do indiscritvel actor britanico.

 

1

Heath Ledger (The Dark Knight)

 

É assim que nascem os mitos. Quando daqui a muitos anos os cinéfilos do futuro olharem para trás, 2008 vai ser o ano de Heath Ledger. Porque era uma das maiores promessas do cinema norte-americano e  morreu tragicamente de overdoso no inicio do ano. Porque fechou o ano a arrebatar postumamente todos os prémios que lhe apareciam à frente. E porque a meio do ano deu ao mundo a conhecer a sua mais fabulosa perfomance, um exercicio de anarquismo louco, de um sado-masoquismo visual arrebatador, como há muitos anos não se via. 

O seu Joker é mais do que um ser perturbado até à medula. É um desafio constante à sociedade de hoje, um soco no politicamente correcto mundo podre e corrupto em que todos vivemos. E é por isso impossível não desprezar e ao mesmo tempo sentir uma profunda atração por este vilão/anti-vilão. O trabalho de Ledger é indiscritivel e mostra o quão longe pode chegar o processo criativo de um actor. Deixou para a história uma personagem que já entrou na galeria dos imortais e que vai fazer dele, para os amantes do cinema futuro, um nome com tanta força como o que teve, para a sua geração, James Dean.

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 19:13
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