Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Oscarwatch 2010 - Senhoras e senhores, o autor

Nesta corrida eles são as estrelas, o vector da emoção. O glamour da festa é feito com os actores mas os nomes fortes dentro da Academia são os directores. Eles determinam à partida o status de cada filme que concorre que pode subir ou baixar na quotação conforme o seu pedigree. E este ano a corrida de estrelas está concorrida até à medula...

 

 

 

Um ano onde disputam a estatueta a nata de Hollywood tem de ser, forçosamente, um ano inesquecível. De tal forma que reduzir a dez candidatos é cometer, à partida, uma injustiça. Com Martin Scorsese e o demoníaco Shutter Island. Com Ben Affleck, o novo american hero por detrás das camaras com o belo The Town. Com Lisa Chodolenko e esse olhar visceral da sociedade americana em The Kids are Allright. Com o veterano Peter Weir, sempre em forma com The Way Back. Com o proscrito Roman Polanski, recentemente galardoado na Europa com o surpreendente The Ghost Writer. Ou com Derek Cianfrane (Blue Valentine), Doug Liman (Fair Game), Nigel Cole (Made in Dagenham), John Cameron Mitchell (Rabbit Hole), Lee Unkrich (Toy Story 3) ou Sofia Copolla (Somewhere).

 

Exluidos estes nomes imensos de uma corrida já de si apertada, é forçosamente necessário continuar com os aparentes descartes numa corrida que tem de ser, inevitavelmente, a cinco. Uma corrida com algumas estatuetas já pelo meio e grandes génios por consagrar, de forma categórica e definitiva, com algumas das suas melhores obras. Nesse ambiente de imensa competitividade parece haver pouco espaço para um rookie como Tom Hooper que traz às costas o sucesso televisivo de John Adams e o hilariante The Damned United. Se o seu King´s Speech conta no panorama geral, o bilhete para a sua categoria está de tal forma caro que talvez o cineasta britânico tenha de pagar o preço e ficar de fora. Não seria inédito, Rob Marshall bem que o sabe, e teria a sua lógica. O seu filme não é um filme de autor, ao contrário dos máximos favoritos ao prémio final.

 

Autor como Clint Eastwood ou como os irmãos Coen, cada um à sua medida, génios da filmografia americana dos últimos 30 anos. Recentemente galardoados, os Coen são um amor contraditório da Academia que tardou 20 anos a dar a mão a torcer. Voltar a premiar a original dupla tão cedo é algo pouco comum e nem sequer é de esperar que consigam entrar no top 5. O que não seria uma derrota, para os autores de True Grit a carreira deles fala por si. E por Eastwood, o maior cineasta no activo. Aos seus 80 anos Hereafter é uma declaração de amor à vida que tocará muitos e não emocionará outros tantos. As novas vagas reclamam espaço e isso consegue-se sempre empurrando os seus mentores, mesmo quando se tratam de génios imortais. Desde 2006 que o realizador não voltou a ser nomeado apesar dos sucessos de Gran Torino e Invictus. Com Hereafter pode voltar a suceder o mesmo.

 

Nessa corrida também perdem terreno à partida a ousada Debra Granik, original como poucas cineastas com o seu Winter´s Bone, talvez a pagar o preço da consagração do feminismo em Hollywood com Kathryn Bigelow, mas também David O. Russell, que finalmente deu forma a um projecto que há muito divagava pelos estúdios de Hollywood até se tornar no magnifico The Fighter. Eles estarão por perto, no sprint final. Mas não partem em vantagem.

 

 

 

E afinal quem são os grandes candidatos? Os filmes falam por si. São o espelho dos autores e a sua consagração com público e critica é também a consagração da sua origem. Originalidade é o critério que marca o tom dos principais candidatos do ano. Projectos pessoais, intensos e com rasgos de vanguardismo pouco habituais para um meio bastante conservador.

 

Uma corrida onde está o virtuosismo britânico de Mike Leigh, um maestro no cinema de costumes, com o seu Another Year, catalogado como uma profunda brisa de ar fresco segundo a imprensa inglesa, sempre preparada para coroar um dos seus maiores maestros. Outro britânico, o vanguardista Chris Nolan, consegue com Inception ir um pouco mais longe na sua eterna metáfora sobre o lado mais ortodoxo do Ser Humano. Depois da memória em Memento, da percepção em The Prestige e dos valores na saga de Batman o seu Inception é uma visão assustadoramente complexa sobre o universo dos sonhos onde nada é, realmente, o que pode vir a parecer num breve suspiro de humanidade. Humanidade que vai faltando ao mundo de Black Swan à medida que o drama de uma bailarina, incapaz de descobrir o seu lado negro, vai isolando-a de tudo e todos, obrigando a jovem a transformar-se em tudo aquilo que não queria ser para sobreviver no mundo do espectáculo. O filme mais intenso e emocional de um Darren Aronofsky que já em Requiem for a Dream e The Wrestler tinha reforçado a sua eterna predlicção pelos outsiders do mundo. Também em terras britânicas o espirito visionário de Danny Boyle já deu a volta completa e do rasgo original de Transportting chegou-se ao melodrama humano e oscarizado de Slumdog Millionaire até à desertificação do desespero humano no drama de um só homem contra a vida em 127 Hours.

 

 

 

Por fim, só, talvez num apartado à parte, surge David Fincher. Nunca foi um homem do sistema e não assina a sua obra máxima. Mas isso nunca foi necessário para compensar erros do passado. O risco já foi tomado em Se7en e Fight Club e a serenidade de Zodiac e Benjamin Button demonstraram que os seus passos caminhavam, inevitavelmente, rumo ao cinema mainstream. Numa improvável associação chegou-se a Social Network, filme que consagrará um dos três autores alternativos (a par de Lynch e Burton) que há vinte anos têm mostrado outro olhar da América cinematográfica. Talvez seja a sua hora. A deles, a dele. A desse cinema. Mesmo sob o formato do futuro já!

 

Previsões Cinema

 

David Fincher - Social Network

Christopher Nolan - Inception

Mike Leigh - Another Year

Darren Aronofsky - Black Swan

Danny Boyle - 127 Hours

 

Alternativas

 

Tom Hooper - The King´s Speech

Clint Eastwood - Hereafter

Debra Granik - Winter´s Bone

Joel e Ethan Coen - True Grit

David O. Russell - The Fighter


Autor Miguel Lourenço Pereira às 10:37
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