Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Piratas para o futuro

O ano novo que agora arranca lança também uma vez mais o eterno debate da pirataria de obras culturais, situação que envolve profundamente os sectores da indústria cinematográfica. A habitual hipocrisia governamental, capazes de manobrar a vida do cidadã-comum a seu antojo (veja-se legislação anti-tabaco) prepara-se para ganhar nova forma com um paquete de leis que se prevê transversal nos principais países europeus, mas que conta com o posicionamento claro da opinião pública. A tamanha hipocrisia ganha especialmente forma quando, progressivamente, os preços das entradas para qualquer espectáculo vão subindo a valores proibitivos, as ajudas governamentais ao sector continuam pujantes e os salários dos principais intervenientes sobem a números insultantes para a maioria da comunidade civil. E no entanto, o termo pirataria, já de si coloca o perigoso sentido ético no meio de um debate vazio em tudo, menos em falsos moralismos.

 

 

 

Que é piratear um filme? Que é atentar contra o direito de um autor, seja esse autor um músico, cineasta, productor ou quem quer que seja?

Hoje em dia as descargas de productos culturais, e ficamo-nos pelos filmes que é o que realmente nos importa, está a atingir os seus valores máximos. A resposta da indústria - e de alguns autores priveligiados - é o confronto. Legal, amparado por uma legislação feita por muito poucos para proporcionar lucro a um grupo ainda mais restricto. Nesse confronto será dificil aos espectadores-internautas vencerem. O legal é quase sempre imoral e esta realidade não é excepção.

A indústria cinematográfica vive, sobretudo, uma crise de ideias. Apostas em productos fáceis, não necessariamente caros e com retorno imediato. Retorno que aumenta exponencialmente quando entra em jogo o mercado de DVD e, posteriormente, a venda para o circuito televisivo, hoje quase tão imediato como o lançamento da própria edição em disco. É nesse mercado paralelo que as productoras realmente encontram o seu lucro. Porque hoje ir ao cinema é uma autêntica odisseia. E não nos esqueçamos. O preço do bilhete de cinema é o que é - ou exagera no que devia ser - pela experiência em si. Pelo som, pelo ecrã, pela qualidade do acento, pelo ambiente que se cria. Por tudo menos pelo filme. Esse, na maioria dos casos, pode ser visto e muitas vezes é-o, noutros cenários, noutras plataformas, e sobrevive. A experiência fica pelo caminho. E com a realidade económica actual só realmente vai ao cinema aquele que procura a experiência de ir. O cinema de massas, como concebido por Hollywood nos anos 30, como objecto de escape, já pouco apela ao espectador que sabe que o producto o vai encontrar à venda em poucos meses para consumir em casa ou directamente no televisor pouquissimo tempo depois. Os internautas limitam-se a antecipar o processo e cortam no lucro de produção, não na liberdade dos autores.

 

Parece indignante ver alguns autores - e em Espanha o debate ganhou esta semana nova forma com vários actores e cineastas a criticarem os espectadores internautas com a reprovação no parlamento da lei Sinde - protestar contra esta realidade.

Estamos a falar, em muitos casos, de elementos que actuam, dirigem e produzem obras que são subvencionadas pelo próprio Estado. Muitos pagam a uns poucos para fazerem filmes que verão ainda menos. Essa tendência europeia de subsidiar o cinema é um dos principais motivos do atraso da Europa face aos demais continentes que já perceberam a mecânica social que implica a produção cinematográfica. A existência de ICAM´s e organismos do género, sempre aptos a apoiar projectos "amigos", traz a burocracia e compadrio politico ao universo da arte. Uma gestação já de si perturbadora o suficiente para depois dar direito a uma reclamação moral por parte de quem não a tem. Como a ministra da cultura espanhola, a argumentista Gonzalez Sinde, que subvencionou com um milhão de euros como ministra um filme da qual o argumento é da sua total autoria. Um filme que, já por si, recaudou 3 milhões de euros em bilheteiras apesar de ter sido o grande sucesso comercial espanhol nas descargas virtuais. A autora da lei que criminaliza esses piratas esquece-se do incompreensivel tráfico de influências que permitiu ao filme, inicialmente, passar a fase de produção.

E como esse exemplo, tantos outros. No caso português são gritantes os casos de António Pedro-Vasconcellos e João Botelho que, incapazes de financiar os seus próprios projectos, escudam-se no porreirismo estatal para garantir que continuam no activo, apesar do relativo desinteresse público às suas obras que, ultimamente, procuraram no sexo fácil o chamariz de uma bilheteira que continua a olhar de soslaio para o cinema pátrio. Em vários países da Europa a situação repite-se, de Tornatore em Itália a de la Iglesia em Espanha, criando um ciclo fechado onde o dinheiro público cai sempre nos mesmos bolsos que acabam por ser, paradoxalmente, os que depois reclamam a penalização do espectador internauta. Em Hollywood, onde as descargas significaram um profundo retrocesso no ritual de ir às salas de cinema, o problema tem outra dimensão. Os filmes pirateados são-no, essencialmente, para um público que não pode ver in loco os filmes em questão. Ou porque as estreias são reduzidas (o mercado americano de distribuição está repleto de paradoxos) ou porque são espectadores internacionais que querem antecipar, em semanas, as estreias previstas para a sua terra natal. Os grandes blockbusters continuam a gerar milhões, o cinema animado e familiar está em crescimento e a perda significativa nota-se no cinema indie e mainstream dramático. Mas aí a pirataria é a menor das culpadas. Os preços, horários, fecho de salas centricas e, sobretudo, a emergência do mercado DVD a um preço acessível travou a ida regular de vários espectadores ao cinema. Esses são, provavelmente, os que menos recorrem ao filme pirateado. E acabam por ser, em grande parte, os grandes ausentes neste debate.

 

E voltamos ao cerne de quem defende a lei da criminalização da pirataria. Muitos falam no direito de autor violado. Mas direito de quem?

Do cineasta, actor, productor, argumentista ou técnico que já foi pago previamente e que não vê afectado os seus rendimentos? Porque os salários por prestação do filme no box-office são cada vez mais raros, esses grandes nomes que se aliam contra a causa da democratização do cinema fazem-no mais por compadrio do que por sentimento de injustiça. Da mesma forma que o filme estará a repetir-se, vezes sem conta, no circuito televisivo gratuito anos sem fim (não foi It´s a Wonderful Life resgatado do anonimato pela televisão gratuita?), também a internet permite um acesso a todos de um producto acabado e em nada vilependiado. Pior serviço contra os direitos de autor fazem os espanhóis, franceses, italianos ou alemães que dobram todos os filmes estrangeiros, danificando directamente o producto final oferecido e o respectivo direito de autor e actor a ver a sua obra reproduzida fielmente. Mas isso, como é uma indústria paralela que gera dinheiro e emprego, continua a ser um tema tabú. A pirataria, como não gera lucro, nem para productoras nem para os cofres do estado (como muito para as empresas telefónicas que ganham com o volume de descargas nos seus servidores), rema contra a corrente do falso moralismo e do politicamente correcto.

Um espectador que descargue um filme e fique impressionado por um actor, argumentista ou director e se passe por uma loja e compre um dvd onde estes apareçam está a contribuir, indirectamente, para o sucesso da indústria. Mas esse mesmo espectador, sem essa liberdade de escolha, e com os preços proibitivos do mercado (em Londres o preço de um bilhete ronda os 12 euros, em Madrid os 8, em Roma os 9 e em Portugal já ultrapassou os 5 em alguns locais), talvez nunca tivesse oportunidade de o ver e de descubrir uma nova oportunidade. Mas aqui o importante é o lucro e nada mais. O lucro das equipas de produção, dos milionários de serviço que ocupam neste debate o mesmo papel que os gestores bancários, os principais responsáveis politicos ou os empresários mais elitistas. O circulo do dinheiro é fechado e quem o ousa debater sabe que terá, contra si, toda uma máquina habilmente preparada com muita lei e pouca moral.

 

 

 

Descargar filmes faz parte da consciência de cada um. Os que valorizam a experiência cinematográfica acima de todas as coisas têm a tendência em menosprezar o cinema pirateado. Não o devem fazer. Ambas as realidades podem coexistir num mesmo cinéfilo, que procura coisas diferentes de dois productos pouco similares. Piratear um filme devia ser um direito, não uma cruz. Não há, nem haverá nunca, perdas suficientes para justificar esta corrente persecutória. Talvez essas indústrias paralelas de dobragem, esses dinheiros estatais ou esses lucros excessivos, producto do circuito de distribuição sejam a verdadeira pirataria. O resto é apenas sobrevivência. Como em tudo neste Mundo...

 

Feliz 2011!

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 10:57
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6 comentários:
De Diogo Figueira a 1 de Janeiro de 2011 às 18:16
Caríssimo,

Aplaudo com vigor, concordo completamente contigo. Destaco as tuas palavras em relação aos subsídios estatais e ao espectro corrupto e prepotente que envolve todos os intervenientes no processo, nomeadamente alguns "gigantes" da nossa indústria nacional.

Sobre a própria pirataria e até pegando no lucro que terá tido o filme da Ministra espanhola (não sabia da história), a minha visão é a de que a própria pirataria incentiva a indústria. Como dizes, ir ao cinema não está nada fácil, o que não impede que muitos filmes continuem a ter filmes monstruosos. A meu ver, o que ainda mantém os outros com certa afluência, é a vontade que as pessoas têm de ir ao cinema:

1) depois de ver o filme pirateado (a experiência é diferente), já que é algo que lhes concede armas de escolha - ir ao cinema, com tantos filmes, é uma escolha; se calhar, se não pudessem escolher, se tivessem sempre de ir ao calhas, muitos escolheriam nem tentar, imersos em passividade;

2) pirataria é publicidade. Eu vejo um filme no computador e passo a gostar do realizador, do actor, da actriz, há algo que me desperta a vontade de ir ver algo ao cinema, numa próxima vez, algo que nunca aconteceria se não tivesse visto o que vi. Além de que há o "boca em boca".

Abraço.


De Miguel Lourenço Pereira a 3 de Janeiro de 2011 às 08:42
Diogo,

Como tudo é um grande polvo que se move por detrás e que utiliza este maniqueismo para esconder problemas bem mais graves. O cinema e as suas subsequentes descargas só se torna uma questão politica pelo peso económico dos agentes que controlam o mercado de distribuição, o que realmente se pode ver afectado por essa realidade mas também o que mais contribuiu para que se chegue a esse ponto.

No caso dos filmes de financiamento privado, a pirataria é um golpe às pretensões da maioria dos estúdios em querer tirar um bolo cada vez maior para os seus executivos, já que os gastos não subiram em proporção ao que se pede em troca. Quanto aos filmes financiados, como cidadão que paga impostos, reservo-me o direito de ver um filme que só existe graças ao meu contributo económico por muito afectado que se sinta o seu pseudo autor.

um abraço


De Rafael Fernandes a 3 de Janeiro de 2011 às 09:37
A verdade é mesmo essa. Pirataria é cultura. Aliás, posso afirmar que uma grande parte dos conhecimentos que tenho sobre cinema se devem a ela. Hoje não tanto mas quando o bichinho despertou devorei filmes atrás de filmes. E depois a distribuição em Portugal. Muitos filmes não chegam. Outros chegam com mais de um ano de atraso. E outros só chegam a Lisboa e/ou Porto. Basicamente quem for mais desfavorecido, e numa altura que se fala tanto na pobreza não pode ter acesso a este tipo de cultura, porque não tem dinheiro. O que é injusto. A pirataria colmata essa necessidade. Na música aplico este pensamento também. Com CD's a 20 euros, que custam um ou dois, é normal que haja pirataria. Mais uma vez hoje em dia quem se dá ao luxo de comprar CD's Originais? só muito de vez enquanto, e claro mais uma vez, quem vive com o ordenado mínimo a tentar pagar contas vai comprar 20 euros de CD? Não! A alternativa é ficar ignorante? Enfim, devia-se reflectir sobre isto mas mais a sério. E não assumindo desde logo que a pirataria é um mal. Quando não é. Já agora vejam os exemplos do Prince ou dos Radiohead, e como contornaram isso.


De Miguel Lourenço Pereira a 3 de Janeiro de 2011 às 11:01
Rafael,

Precisamente.

Quanto mais esticam a corda, mais a jeito se poem. Os preços de cd´s cujo o custo é de 1 misero euro é algo inexplicável no mercado actual, sabendo ainda para mais que os autores nao recebem mais que miseros centimos e que as suas fortunas (ou nao) resultam das actuaçoes ao vivo e dos contractos de marketing. O mesmo se aplica ao cinema, onde as receitas de box-office nunca vão para os bolsos dos intervenientes mas sim para engordar os estudios, que dominam nos EUA também o mercado de distribuiçao que inventa os oculos 3D e os preços mais loucos que se possa imaginar.

Nem todos têm a sorte de viver em grandes centros urbanos o com cinematecas para ampliar a sua cultura cinematografica. E ha muito que a tv deixou de ser um espólio significativo para fomentar a cultura de um cinéfilo.

Falo com propriedade porque, não só vi mais de 1000 filmes em salas de cinema comerciais como também sou detentor de uma coleçao de dvds originais (comprados a retalhistas portanto) superior a esse número. Já contribui o suficiente para o mercado, está na altura do mercado entender que eu sou uma excepçao, idiota talvez, e que não podem continuar a brincar com coisas sérias. E a cultura é uma coisa muito séria.

um abraço


De King Mob a 3 de Janeiro de 2011 às 12:24
Excelente post. Nada a acrescentar à ignomínia dos subsídios estatais para o cinema. Sempre me revoltou como contribuinte ter que pagar para se fazerem filmes e sustentarem artistas cuja obra na maior parte das vezes não me suscita o mínimo interesse.

No entanto a pirataria é um problema, pelo menos na forma como é praticada pela maior parte das pessoas. Não nos iludamos. Se têm dúvidas, vejam quantos videoclubes ainda sobrevivem em Portugal. Eu moro numa cidade grande, e desde há um ano que deixei de ter videoclubes disponíveis, os quais eram a minha principal fonte de visionamento de filmes. De forma irónica e perversa, foi precisamente o encerramento dos videoclubes que me forçou a descobrir a obtenção de filmes da internet. Sinto que posso de forma imparcial comentar sobre este assunto. É inegável que a internet permite abrir novos horizontes para quem realmente ama o cinema, permitindo visionar obras que dificilmente teria hipótese de o fazer de outra forma. Existem filmes muito interessantes que pura e simplesmente nunca irão ser exibidos em salas nacionais (como muito bem disse, às vezes apenas em uma ou duas salas no país inteiro se tivermos sorte), e em muitos casos não têm edição nacional em DVD. Já para não falar em filmes antigos que não estão disponiveis de outra forma. A meu ver, o grande problema está na mentalidade da maior parte das pessoas que faz download de filmes. A grande maioria, fá-lo não com o intuito de "provar o produto", mas sim de substituí-lo pelo original. Este é o cerne do problema. Isto mexe muito nas receitas do homevideo das produtoras, que são hoje tão ou mais importantes que as receitas de bilheteira das salas de cinema. Se as pessoas comprassem os dvds originais dos filmes obtidos da internet de que realmente gostaram de visionar, e que gostariam de o voltar a fazer, provavelmente não estariamos a ver serem preparadas medidas legislativas draconianas e miópicas.
Como afirmas no final, acho que ambas as realidades podem coexistir pacificamente, desde que não se abuse, quer de um lado quer de outro.


De Miguel Lourenço Pereira a 3 de Janeiro de 2011 às 14:24
King,

Obviamente que o equilibrio entre todos é o mais desejado. E eu não digo que a pirataria é a solução, longe disso. Mas é um reinvidicação legitima para quem quer ter acesso a um bem cultural que agora está, cada vez mais, reservado às elites (pelo preço que significa ir a um cinema e pela distribuiçao que localiza tudo em zonas estratégicas).

Obviamente que o piratear pelo piratear não é o caminho, e como digo, posso falar de peito aberto porque já contribui - e continuo a contribuir - e muito para a indústria.

Agora nao me venham é com campanhas politicas e maniqueismos de piratas, porque para piratas já chegam as autoridades competentes.

um abraço


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