Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

Oscarwatch 2010 - O prémio final

O grande público gosta dos actores mas os prémios finais, os que definem uma corrida e uma temporada de prémios da Academia, são sempre os que fecham a noite: os Óscares ao Melhor Realizador e Filme. Habitualmente obra e maestro são recompensadas ao mesmo tempo, como um reforço emocional de um dominio claro. Mas este ano, como poucos na história, parece apontar noutra direcção. Como Ang Lee vs Paul Haggis, como Steven Soderbegh vs Ridley Scott ou como Steven Spielberg vs John Madden. Um cenário que de tempos a tempos lembra que para a Academia há os filmes e há os realizadores...

 

 

 

 

MELHOR FILME

 

Segundo ano da segunda era dos 10 filmes nomeados e Hollywood recuou e voltou a ser igual a si mesmo. Nomeou 10 filmes extremamente similares com pequenas particularidades e clichés cumpridos escrupulosamente (o filme animado- confirmado; o filme indie de Sundance - confirmado; o filme para as minorias (sexuais neste caso) - confirmado; o filme de autor - confirmado; o filme dramático convencional - confirmado) e deixou a corrida reduzida a dois nomes.

 

Se True Grit vencer - e é o único filme fora do duo favorito que o pode fazer - seria uma surpresa imensa tal é o buraco que existe entre The King´s Speech, The Social Network e os outros. Se Inception quisesse vencer tinha de ter nomeações que lhe faltaram. O mesmo para Black Swan e 127 Hours. E mesmo o popular The Fighter não é tão transversal como se pode imaginar. E como falta muito para um filme animado vencer no prémio principal - por muito que Toy Story 3 ou a Pixar mereçam - a corrida vai-se apertando e reduzindo de forma a que nem um emotivo Winter´s Bone ou The Kids Are Allright, os representantes oficiais de Sundance e a ala esquerda americana, podem contrariar.

 

E no meio de tudo isto há o filme amado na internet, glorificado pela critica. E o filme dos veteranos, dos actores, dos emocionais. A luta entre razão e coração domina habitualmente a corrida aos Óscares e este ano voltou a ser preponderante para definir os dois lados da barricada. The Social Network emergiu como um filme aclamado pela critica norte-americana e pelo público online que se identifica com a narrativa, os personagens e o estilo de vida de uma geração facebookiana. Para todos esses The Social Network pode funcionar como espelho de uma geração. Os defeitos do filme ficam num segundo plano, é a mensagem que conta. Uma mensagem que parecia que tinha ganho apoios impressionantes de tal forma que em Dezembro não havia ninguém que acreditasse que pudesse haver outro ganhador. Excepto Harvey Weinstein.

 

O mago que sacou Shakespeare in Love da cartola voltou a fazer o mesmo.

The King´s Speech sempre foi popular, desde que venceu o prémio do público em Toronto no mês de Setembro. História tocante, real e extremamente bem contada, toca no coração mais do que na mente, toca na emoção ou na alma dos espectadores e dá uma sensação de paz interior a que o filme de Fincher nunca podia alcançar. O apoio dos sindicatos fez-se notar de uma forma inesperada e o recorde de nomeações entre os candidatos reforçou o favoritismo de um filme que tem, além do mais, todas as condições para triunfar. É um filme feito à medida de Hollywood, apoiado num óptimo guião, numa sóbria realização, num excelente trabalho técnico e numa troupe de actores (e em The Social Network faltam tanto os actores) encantadora do primeiro ao último frame...

 

The King´s Speech tornou-se no máximo favorito e o tabuleiro inverteu-se de tal forma que uma derrota do filme britânico é uma imensa surpresa para que acompanhou a corrida. Além do mais o Reino Unido tem cerca de um quinto dos membros da Academia, por muito que os prémios sejam norte-americanos, e apoiaram em força o seu projecto, o que pode desiquilibrar a corrida. Já foi assim no passado com Slumdog Millionaire, Shakespeare in Love, The English Patient ou Braveheart, todos eles vencedores de duelos com projectos made in USA.

 

O filme de Tom Hooper tem tudo para sair do Kodak Theather com meia dúzia de estatuetas douradas na mão. Nenhum será mais dificil de ganhar do que esta. Nenhuma será tão merecida. Um filme que pode não definir uma era (e The Social Network também não o faz) mas que define bem um ano. 2010.

 

 

E o Óscar vai para - The King´s Speech

E a Surpresa é - True Grit

E o Óscar Devia ir para - Inception

 

 

 

 

 

MELHOR REALIZADOR

 

 

Hollywood não tem por hábito premiar em vão. E Tom Hooper é um rookie nestas coisas.

 

Realizador televisivo, deu o salto ao cinema com o excelente The Damned United e confirmou todo o seu talento em The King Speech. A sua vitória no DGA foi, talvez, a mais surpreendente de toda a temporada. E muitos têm-no como favorito a levar para casa mais um Óscar para o filme britânico. E no entanto a Academia já demonstrou, vezes sem conta, que gosta de premiar autores consagrados, nem que seja mais do que uma vez. Nem Madden, nem Haggis, nem Bedford, todos eles autores de filmes oscarizados, venceram a estatueta dourada ao Melhor Realizador. Porque não tinham o perfil certo. E Hooper também não o tem. A sua vitória, por muitas estatuetas que ganhe o filme do rei, seria sempre uma surpresa.

 

Mais consensual seria um prémio entregue a Darren Aronofsky. Autor original que gosta de caminhar no limbo, o seu Black Swan é um filme apaixonante do principio ao fim e um excelente exercicio de direcção cinematográfica. É impossível imaginar um trabalho mais bem estruturado como o seu e ele é, sem dúvida, o terceiro em discórdia. Mas também é um autor demasiado vincado, com pouca relação com a indústria e isso pesa com os votantes mais conservadores. Basta ver o que tardaram os irmãos Coen, que voltam a ser nomeados, em vencer o seu primeiro Óscar. Fora da corrida está o nomeado emocional, David O. Russell, autor de um comeback como Hollywood gosta e que ficou com o lugar que seria, meritoriamente, de Christopher Nolan.

 

E por fim, Fincher. David Fincher.

Uma carreira com poucos filmes mas com sucesso atrás de sucesso, filmes de culto e obras paradigmáticas da evolução cinematográfica dos últimos quinze anos. The Social Network não é, de longe, o seu melhor filme. Muito menos o era The Curious Case of Benjamin Button. Mas são estes projectos que lhe podem valer a confirmação do mainstream e dar-lhe o Óscar que outros rivais da sua geração não conseguiram alcançar. A sua vitória é a vitória do cinema de autor, de um estilo particular e de uma carreira imaculada. Apesar das fraquezas de The Social Network o seu nome é quase impoluto e o seu triunfo quase uma inevitabilidade. Perder a estatueta para um cineasta ainda mais alternativo (Aronofsky) ou sem background na indústria (Hooper) significaria, muito provavelmente, a última oportunidade de pintar-se de dourado. E Fincher merece-o, apesar de tudo.

 

E o Óscar vai para - David Fincher (The Social Network)

E a Surpresa é - Tom Hooper (The King´s Speech)

E o Óscar Devia ir para - Tom Hooper (The King´s Speech)

 



Autor Miguel Lourenço Pereira às 11:35
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2 comentários:
De Diogo Figueira a 26 de Fevereiro de 2011 às 12:11
Também a mim muito me surpreendeu o Hooper e acho que seria um vencedor justíssimo. De qualquer forma, continuo a achar que o Fincher também fez um excelente trabalho.


De Miguel Lourenço Pereira a 27 de Fevereiro de 2011 às 17:14
Diogo,

O Hooper já tinha dado bons sinais no Damned Utd e na mini-serie Adams para a HBO. Um belissimo trabalho de direcção. Fincher foi igual a si mesmo e nem acho que TSN esteja no seu top 3. Mas tem mais prestigio e isso conta muito.

um abraço


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