Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire - Todos adoram um underdog (e isso também é Cinema)

Vindo do nada, sem armas de peso na mão, saltou para a ribalta, deixou todos em suspenso e imergiu como o grande ganhador. Falamos de Slumdog Millionaire? Ou de Jamal Malik? Dos dois. São gémeos siameses. E vivem da mesma filosofia. O “underdog” ganha sempre. E conquista o coração da audiência como nenhum outro. E Slumdog/Jamal tem ainda um bónus a seu favor: faz-nos sentir melhor com a nossa vida.

 
Longe do pessimismo da inevitabilidade da morte de Benjamin Button. Do complexo de culpa de The Reader. Do fantasma da morte de Milk ou da polémica de Frost/Nixon. Muito longe da realidade que palpamos dia após dia sob o fantasma da crise. Simplesmente em cima de um comboio com destino…nenhum sitio. Slumdog Millionaire é a injecção de positivismo que o Mundo precisa. Chegou a tempo e horas para provar que a esperança nunca (deve) morrer. E no meio de tanta pobreza e miséria, de tanta morte e dor, saca o seu melhor rosto e quase recriminatoriamente questiona o mundo. Aos que se queixam de que não são capazes de pagar a hipoteca, que tal acham de dormir ao relento? Aos que se queixam da dureza e monotonia do seu trabalho, que tal se lhe arrancarem os olhos para cobrar uns cêntimos a mais? E para os que se gabam de tudo saber, essa inteligência sobre-humana que abunda nas “pseudo” elites intelectuais, aqui tem a prova de que a escola mais eficaz continua a ser a escola da vida. Slumdog Millionaire é isso mesmo. Não um filme sobre as barracas que asfixiam um país que quer ser potencia mundial. Não um olhar triste e crítico a uma juventude perdida, entregue a mafiosos e ao relento de um céu impiedoso. Nem sequer um filme que funciona como critica ao poder dos Mass Media nas sociedades do Terceiro Mundo. É um filme sobre a magia da escola da vida. E é essa proximidade, essa capacidade de mergulhar num monte de esterco e sair com um verdadeiro sorriso, que faz com que estejamos diante daquele que é, provavelmente, um dos maiores feel-good movies de sempre. Mesmo com a dor. Mesmo com a morte. Mesmo com o sofrimento. Isso é o de menos. O demais é o olhar traquinas daquelas crianças a correr pelos bairros de lata. Ou o rosto apaixonado de um jovem que nunca esqueceu.
 
A nível cinematográfico Slumdog Millionaire é uma pequena pérola que não está isenta de imperfeições. Mas que as sabe disfarçar maravilhosamente. O início é frenético e bastante corrosivo mas é durante o percurso da vida de Jamal – em particular nas suas primeiras etapas – que o filme explode verdadeiramente. Um rosto colorido e dramático de um país que continua a viver a meio termo entre a afirmação mundial e a tradição local que se intercala fabulosamente com o presente. Esse exercício de edição constante onde vamos descubrindo o porquê de Jamal, esse pobre quase analfabeto de um bairro pobre de muçulmanos, saber as respostas para perguntas francamente complexas e que à partida lhe eram inacessíveis. O jovem não reconhece o rosto de Gandhi numa nota mas conhece a de Benjamin Franklin, a face dos 100 dólares. Porque? Porque a vida assim o ditou. E é esse motor que vai empurrando Jamal para o seu destino, num exercício de coerência aguda, mas também, de algo de fantasia. Porque o filme é exacto sem nunca cair no exagero. Mas porque força muitas portas para poder sair airoso das situações mais complexas. E se o final é, claramente, o ponto mais débil de toda a narrativa (não o genérico final, que esse sim, é delicioso), não ficamos com azia. E esse é o poder principal da obra de Boyle – num excelente exercício de realização – o de deixar de bom humor o mais sisudo dos espectadores, por muitos erros que encontre pelo caminho. E saber aliar as fraquezas com as virtudes. Se o elenco de actores é sóbrio (bom trabalho do reparto local, com excepção de Freida Pinto que por lá anda mais como rosto bonito do que propriamente como actriz), com particular realce para os mais pequenos protagonistas (Dev Patel também está bem, mas não extraordinário), é impossível não se deixar perder no limbo da imaginação com Paper Planes, O´Saya ou Jai Ho, esses retalhos fabulosos de uma banda sonora que mantém o frenetismo do filme do primeiro ao último frame.
 
Slumdog Millionaire é o campeão anunciado do ano. E a verdade é que fez por merecê-lo. Num ano negro onde todos (até WALL-E por aí anda, se bem que em tons bem mais românticos), mas todos os filmes apostaram na negatividade da mensagem que acompanha bem o espírito do quotidiano, Danny Boyle concebeu um filme imortal que servirá sempre para arrancar sorrisos e alegrar corações. E porque o cinema também é isso, Slumdog Millionaire longe do espírito crítico, artístico ou intelectual que sempre se procura nas grandes obras, provou que a grande magia do cinema continua a ser a de despertar ilusão no coração do público. Foi assim no princípio. E sempre o será.
 
É a resposta D. O destino!
 
Classificação
 
Realizador – Danny Boyle
Elenco – Dev Patel, Freida Pinto
Productora – Fox Searchlight

Classificação – m/12

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 00:39
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