A compra da Pixar pela Disney foi um dos negócios mais fascinantes da história das productoras cinematográficas. Uma pequena productora subsidiária tornou-se no icone do cinema de animação e acabou por ser comprada pela casa mãe, a grande productora da história do cinema animado. Uma "falsa compra", já que o presidente da Pixar tornou-se presidente da Disney, e a mitica productora herdou "virtudes" da sua nova subsidiária. E se a Pixar aproveitou para continuar a funcionar a toda a velocidade (basta ver a sua última obra-prima), a Disney parece, pouco a pouco, a recuperar a velocidade de cruzeiro a que nos tinha acostumados até há uma década. Bolt é um claro exemplo dessa evolução.

Se o filme da dupla Howard e Williams tivesse saído com o selo da Pixar não surpreenderia (apesar de não ter o brilhantismo dos últimos oito filmes da productora) tal é a dinamica narrativa e a qualidade gráfica da narrativa. Não é um claro regresso aos filmes tipicos da Disney, mas é um passo em frente. A ideia do filme dentro do filme não é novidade e o próprio mundo dos super-herois já tinha sido explorado previamente em The Incredibles, mas Bolt consegue encontrar o ponto imaginativo que necessitava para afirmar-se por si só. Nesta deliciosa aventura, temos um cão que acredita possuir verdadeiros poderes de super-herói, uma gata marcada pela crueldade humana e um hamster obeso e viciado em séries de televisão...particularmente numa série!
A simplicidade narrativa não é um problema, todo o contrário neste caso. A história é linear mas interessante, especialmente na forma como explora o trio de personagens. Bolt é um claro paradigma do heroi em plena crise de identidade que necessita do apoio de dois inesperados amigos para reencontrar a sua essencia. No final, Bolt revela ter todos os poderes necessários para conseguir o que precisa. E quanto aos seus amigos, conseguem encontrar em Bolt o tapete voador que precisam para encontrar o caminho escondido para a vida que sempre sonharam.

A qualidade filmica de Bolt é claramente superior á produção moderna do cinema de animação. Não vive de um anedctório ridiculo e sem interesse como tem acontecido com a obra da DreamWorks e afins. É um filme estruturado e maduro, que encontra um timing exacto para cada sequencia com um par de cenas de altissima qualidade. Não se lhe pode acusar de falta de coragem, mas sim, em alguns casos, de uma excessiva autoconfiança que, em proporções insuficientes, poderia ter significado um claro tiro no pé. Há momentos em que Bolt caminha sob uma ténue linha entre o melodramatismo puro e um cinema de verdadeira emotividade. O segundo ganha, no final, provando uma vez mais que os animais, desde os dias de Homero, continuam a funcionar como perfeitas metáforas para descobrir o insondável mundo das emoções humanas.
Classificação - 



Realizador - Byron Howard, Chris Williams
Vozes (versão original) - John Travolta, Miley Cyrus, Susey Esmman
Produtora - Disney
Classificação - m/6
. Por uma definição justa d...
. Oscarwatch - Melhor Filme...
. Oscarwatch - Melhor Argum...
. Oscarwatch - Melhor Actor...
. Oscarwatch - Melhor Actri...
. cinema
. estreias
. mitos
. noticias
. opinião
. oscares
. premios
. reviews
. rostos
. trailers