A dicotomía Bem-Mal sempre atraiu o universo artistico e o mundo do cinema em particular. Uma tentação demasiado irrestivel que proporcionou o aparecimento de uma série de géneros, de entre as quais um dos mais destacados acabou por revelar-se o thriller policial. Herdeiro do cinema de gangsters (onde já Hollywood jogava com o dubio papel do criminoso e do agente da lei), o thriller já conheceu múltiplas fórmulas e inversões de papeis.
Neste filme encontramos uma nova variante do “good cop, bad cop” que despoletou a partir dos anos 50. Neste caso a teia da equipa de argumentistas leva-nos a pensar que estamos diante de um “bad cop, worst cop”, mas, para os mais atentos, a situação não deixa de escapar ao arquétipo mais comum. Há um tom negro e de desencanto, uma busca constante pela paranoia que faz por vezes com que a história queira dar passos maiores que a própria perna. Nem sempre caminhar a todo o gás é o ritmo ideal num filme de acção. É preciso saber parar para respirar. Talvez esse seja o grande pecado desta aventura de Jon Avnet que, no entanto, consegue mesmo assim um equilibrio surpreendente face à premissa inicial.

Em Righteous Kill estamos diante de uma história aparentemente simples. Dois policias veteranos à beira da reforma (dois “monstros”…mas já lá vamos…) decidem perverter as regras do jogo, e enquanto um começa a fazer justiça pelas próprias mãos, o outro decide encumbri-lo nesta tentativa de limpar com o “lixo” que, por um motivo ou outro, consegue safar-se e enganar o sistema. A simplicidade inicial, em tom confessional, faz perder um pouco do entusiasmo que a história poderia trazer, mas os sucessivos ajustes que o filme vai sofrendo, consegue equilibrar as contas. No final a desilusão vai-se esbatendo, mas sem nunca desaparecer totalmente uma sensação de que noutros moldes, poderia ter-se sacado daqui muito mais.
A base central do filme, o seu verdadeiro motor, não é a história. É o confronto entre Robert De Niro e Al Pacino, dois dos maiores actores de sempre. Um reencontro peculiar, já que apesar de terem partilhado por duas vezes os créditos de um filme, num (The Godfather II) não chegaram a coincidir em cena, e noutro (Heat) nunca se os viu no mesmo plano. Aqui são eles o sal e a terra do filme, desde o primeiro ao último plano. Um confronto que demonstra que, apesar da idade, ambos os actores continuem em grande forma. Um verdadeiro regalo aos olhos, neste autentico confronto de estilos. De Niro sempre impassível, introspectivo e letal, Pacino mais explosivo e sagaz. E com dois homens destes ao leme, pouca importancia se acaba por dar ao leque de secundários (há por aí Carla Cugino, John Leguizamo, Brian Denheny…e até Curtis “50 Cent” Jackson) que apenas estão em cena para dar descanso às verdadeiras estrelas.

Apesar de não ser propriamente um filme de actores (o guião tem demasiadas imperfeições que nem dois actores de tal gabarito podem escamotear), em eles são o verdeiro motivo de interesse deste Righteous Kill, mais um tipico producto de cine noir moderno, que no entanto teima em cair no facilitismo e na acção imediata, em vez de tentar profundizar mais as verdadeiras traves mestras da narrativa. Por isso estamos diante de um filme aceitável, mas que está longe de poder ombrear com titulos do mesmo género que nos últimos anos conseguiram fazer. Titulos como The Usual Suspects, Se7en, L.A. Confidential ou Zodiac, as verdadeiras provas que, 70 anos depois, o gatilho da pistola continua a ser a balança preferida para Hollywood cortar ao meio a maça de Eva.
Classificaçao - 

Realizador: Jon Avnet
Elenco: Robert De Niro, Al Pacino, Carla Gugino
Classificaçao – m/16
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