É indisfarçável que a alta qualidade dos filmes “made in Hollywood” dos últimos anos tem decrescido, face ao que se vinha verificando na viragem da década (ou século, ou milénio). Hoje é cada vez mais díficil encontrar filmes que, ao largo do ano, se destaquem dos demais. Impera a mesma “onda” que impede o aparecimento de filmes de excelencia no meio de uma série de um punhado de filmes que são manifestamente bons, mas que correm o risco de não sobreviver à impiedosa passagem do tempo.
Invariavelmente, os Óscares tem acompanhado esta tendencia nos últimos anos, e 2008 não parece que vai ser excepção. É verdade que há um bom par de filmes por estrear que tem sabido criar expectativas positivas, mas em relação aos que já estão nas salas e aos que já deram um ar da sua graça, a tendencia para ser similar. Uma mediania de ideias, de interpretações, (e já agora de intenções também) e pouco mais. No entanto é interessante dar uma vista de olhos, quando ainda falta muito tempo para acabar o ano, na situação actual. Que filmes parecem ir na linha da frente? Quais os sobrevalorizados e as possíveis surpresas? Mas sempre lembrando que, o que hoje é uma certeza, amanhã poderá ser um erro crasso…são as regras do jogo!
Os primeiros ficam sempre para a história. Não por serem os melhores. Não por serem os mais espectaculares. Não por serem os mais originais. Mas por terem tido o arrojo de avançar antes que todos os outros. Esse glamour especial que o tempo concede, tem particular relevo quando se fala dos Óscares.
Ainda hoje são célebres as declarações dos seus primeiros ganhadores, que só muito mais tarde é que perceberam a importancia que tinha aquela pequena estatueta dourada que lhes tinha sido entregue num jantar cerimonioso numa fria noite de Janeiro. O que começou por ser um prémio entre amigos da indústria, tornou-se na consagração oficial do “studio-system” e a ponte para a exploração do filão do “star system” no cinema norte-americano. De tal forma que os Óscares transformaram Hollywood e todo o cinema made in USA. E como se sabe, o que começa nos “States” logo se alastra pelo Mundo.
A qualidade do prémio é discutível. A justiça dos seus ganhadores (passados e presentes) também. E se-lo há sempre. É parte do charme. Da irreverencia. Apesar de hoje qualquer cidade ou festival de bairro ter o seu próprio prémio, quando se fala em prémios de cinema tem-se, forçosamente, de falar dos Óscares. O único galardão que soube, ao largo dos tempos, consagrar as duas facções (sempre afastadas) do meio cinematrográfico: os magnatas da indústrias e os artistas e interpretes. Nunca nenhum levou verdadeiramente a melhor e por isso, ao contrário de tantos outros prémios (os artisticos prémios dos Festivais europeus ou os prémios assumidamente económicos e de entretenimento que nascera nos EUA) conseguiu gerar algum consenso. E de pequena cerimónia feita à pressa, os Óscares tornaram-se num autentico fenómeno social. Nasceram as galas e com a televisão vieram os pavilhões cheios, os discursos, os momentos hilariantes…e foi-se fazendo história.
Para os irredutiveis amantes deste prémio que tem mais de glamour do que de prémio de excelencia, adivinhar os vencedores transformou-se num verdadeiro jogo do gato e do rato. Apostas às cegas, crenças desbaratadas à última hora, clamor contra injustiças e vilanias…uma garrafa de champagne a jorrar. Tudo vale quando se trata do torcer pelos seus. E o “oscarwatch” (essa designação para os jogadores inveterados) gerou em livros, em sites e, claro, em blogues.
O Cinema também entra no jogo. As cartas estão na mesa, mas é sempre preciso ter cuidado com algum ás, escondido na manga. Até ao dia da cerimónia (que nesta loucura parece ser o que menos importa) vamos dar uma constante vista de olhos aos rumores e certezas que se vão formando à volta desta pequena estatueta dourada. E teremos as nossas apostas. Antes de se conhecerem os nomeados. E antes de consagrarem os ganhadores. São esses quem fica para a história, mas até lá chegar é preciso percorrer um longo caminho. E tudo por umas horas de “suspense”. E não é porque os Óscares seja a medida que determina a excelencia. Mas continua a ser, ainda hoje, um jogo irresistível de jogar…
Will Smith repete com o realizador italiano Gabriele Muccino (depois de The Pursuit of Hapiness) em 7 Pounds.
O filme conta a história de um suicida que decide voltar atrás com os seus propósitos e emendar todos os males cometidos ao largo da sua vida, ajudando os outros a ultrapassar os seus problemas.
Rosario Dawson, Michael Early e Barry Pepper juntam-se a Smith neste filme com estreia a 19 de Dezembro e que pode voltar a colocar, como há dois anos, Smith no panteão dos premiados do ano. Resta saber se a fórmula de sucesso repete-se. De momento fica o trailer do filme.
Dois dos maiores pesos pesados de Hollywood, o realizador Steven Spielberg e Will Smith, estão determinados a realizar um remake do grande sucesso da última década do cinema oriental, Oldboy.
O filme original de Park Chan Wook, o primeiro do tripico da Vingança, contava a história de um homem que regressa depois de anos preso para se vingar dos homens que destruiram a sua familia.
O cineasta Justin Long foi o primeiro a tentar realizar um remake do filme, mas acabou por desistir do projecto que teria Nicholas Cage como actor principal.
Agora é Spielberg que parece querer deitar mãos á história. Ainda não se sabe se como realizador ou apenas como productor. O certo é que Will Smith vai colaborar com o cineasta, estando para ele reservado o principal papel.

Woody Allen foi o guru intelectual dos anos 70 numa época em que as pessias pensavam à “hippie” e vestiam-se à “yuppie”. Agora é uma barca perdida no Mediterraneo à beira do naufrágio. Bem longe do seu porto de abrigo, lá para Greenwich Village, o realizador tenta ancorar em Barcelona. Mas estas não são águas tranquilas…
É fácil perceber que este Woody Allen está cada vez mais neurótico e obcecado pelo sexo fácil. E isso até podia ser bom, se o cineasta tivesse mantido a genica intelectual dos seus anos dourados. Mas não, definitivamente, este já não é o caso. Do velho Woody Allen fica apenas o genérico estilo anos 20. Até o seu intocável “jazz” é agora trocado por acordes de flamenco.

O seu novo filme, Vicky Cristina Barcelona, tanto parece a obra de um exilado despeitado que faz de tudo para ajustar contas com o seu passado, piscando escandalosamente o olho a quem o acolhe, como pode passar por um filme amador de um adolescente repleto de burbulhas que ainda não consegue controlar os seus sonhos molhados. De qualquer das formas, nenhuma das opções parece ser uma boa noticia.
Apesar do curioso titulo, este filme nem é sobre Vicky, nem sobre Cristina e muito menos sobre Barcelona. A capital catalã é o pano de fundo mais estático que a obra de Allen já descorreu. Num autor que durante décadas foi o espelho de Nova Iorque no Mundo e que soube captar o mais intrigante que tem Londres na sua última obra de alta nível (Match Point) escuda-se na obra de Gaudi e Miró para desenhar uma Barcelona que se torna facilmente vazia e ausente. Mas não é a única.
De Vicky e Cristina também pouco se vê a não ser ténues hologramas do que poderiam ter sido interessantes personagens, se a dinâmica narrativa tivesse sido conduzida, desde o primeiro plano, de uma outra forma. O pecado começa na narração do filme, que, de imediato, faz das duas personagens femininas meras marionetas nas mãos do narrador, que vai descorrendo os sucessivos episódios à medida que o filme se desenrola. Sempre se discutiu a vantagem (ou não) de utilizar um narrador num filme. É no entanto fácil ver que esta é habitualmente uma arma que funciona bem para os menos capazes, que não conseguem dar profundidade dramática às suas personagens. Aliás, o próprio Allen já tinha inclusivé parodiado esta situação, com a inclusão de um “Coro” grego em Mighty Aphrodite. Nesta sua aventura catalã pareceu esquecer-se da licção aprendida e saímos da sala sem realmente conhecer Vicky (a representação da convencionalidade puritana americana que volta para casa mais confundida que um espectador num filme de David Lynch) e Cristina (provavelmente o protótipo feminino neurótico que Woody Allen gostaria de ter sido se tivesse nascido num corpo diferente).

E como no filme ficamos sem nunca saber quem são as suas protagonistas, temos de nos limitar à “prata da casa”. Allen aproveitou o dinheiro espanhol que financiou o filme e contratou os dois nomes mais sonantes do cinema castelhano para dar vida a um incandescente e explosivo casal de artistas locais, numa ironia que provavelmente até ao próprio passou despercebida. No entanto, a verdade é que o filme só funciona quando estas personagens estão em cena. Não por estarem mais desenvolvidas do que as protagonistas, não se trata desse caso. É apenas e só porque, ao romperem com a rotinária galeria de personagens allenianas, já conseguem injectar um pouco de fogo neste constante lume brando. Penelope Cruz no seu misto de inglês incompreensível e do seu espanhol de bairro apresenta-se como o claro contraposto às duas turistas. É ela que tem em si a arte e o engenho, o talento e o fogo no corpo. É ela a vida (apesar das suas tendencias auto-destructivas), face às insoças e conservadoras americanas. Num claro ajuste de contas para com uma sociedade que já não o parece apreciar, Allen procura extrapolar pseudo-valores europeus, fazendo passar imagem que, deste lado do Atlântico, até parece normal que o sexo três, a promiscuidade ou a constante boémia sejam o pão nosso de cada dia, face à rotinária vida social dos casais norte-americanos, entre as suas pausas no Starbucks e a a busca do “lar” perfeito (de preferencia com piscina e court de ténis).
E como essa situação è inverosimel (perguntem lá ao pai do vosso melhor amigo se ele lhe conta que tem sonhos eróticos com a sua mulher), e apenas um reflexo da confusão que tem reinado lá para os lados da multipla psicose freudiana que tem o cineasta, Vicky Cristina Barcelona torna-se, desde já, numa experiencia frustante, onde ninguém sairá a ganhar.
E se Allen sempre foi conhecido por ser, além de um bom guionista (a primeira grande falha desta filme, é, exactamente, a falta de um guião), também passou para a história como um hábil director de actores. Até nisso o filme peca de imediato ao escolher um elenco que dá, desde o primeiro instante, a sensação que nunca tira o piloto automático. Scarlett Johansson parece determinada em dar razão aquelas que a catalogam como um pseudo producto de beleza enfrascado num rótulo de eterna promessa. A desconhecida Rebecca Hall perde, por, à partida, a sua personagem ser a mais facilmente desprezada pelo guionista. Basta imaginar as sucessivas sequências em que se encontra, sem se perceber muito bem a sua razão de ser (uma ida ao cinema com um colega de aula que aparece e desaparece como se fosse magia). E a legião espanhola usa e abusa do over-acting, especialmente no caso de Cruz, que mostra claramente que é um producto para consumo caseiro e provavelmente com data de validade muito próxima do prazo. Sobra Javier Bardem, que no seu primeiro filme pós-coroação mundial graças ao seu papel em No Country for Old Men, prova que está em boa forma, sem no entanto deslumbrar a plateia que podia pedir muito mais do mais cotado actor latino da actualidade.
Desta aventura falhada de Allen (já vão demasiadas nos últimos anos para quem era tão regular), fica a sensação que o producto seria o mesmo, tivesse sido a história rodada em Madrid, Lisboa, Roma, Atenas ou Istambul. Neste cocktail de clara desinspiração misturado com uma forte necessidade de criar uma separação entre o universo mediterraneo e a cultura anglo-saxónico, Woody Allen quer-nos convencer que abandonou o seu saxofone pela guitarra espanhola. Mas a proposta é tão inverosimel, que ao sair da sala, quem chora não é a guitarra…somos nós…
Classificação – 
Realizador – Woody Allen
Elenco – Javier Bardem, Scarlett Johanson, Rebecca Hall
Classificação – m/12
O sucesso de Casino Royale surpreendeu muitos dos que não acreditavam que a fórmula James Bond ainda funcionasse. O rejuvenescimento da saga (com um regresso às origens) benificiou com uma nova dinamica (muito por culpa do guião de Paul Haggis) e do estilo despretensioso e cativante de Daniel Craig, o homem escolhido para suceder a Brosnan. Craig, ao contrário dos seus antecessores, não é o gentleman 007. É um espia de acção e foi essa a chave para adaptar a saga aos tempos modernos.

Mas como diz o senso comum, a verdadeira prova de fogo é sempre a segunda tentativa. E as altas expectativas após Casino Royale podem não ser boas conselheiras quando chega uma nova entrega. No entanto, quem pode ver já o novo Bond, garante que o filme segue na linha do seu antecessor. Realismo, acção (bastante mais acção) e uma continua busca por si mesmo de um personagem vingativo e sem medo de nada nem ninguém que encontrou em Craig um perfeito alter-ego (ou terá sido o contrário?).
Quantum of Solace chega amanhã às salas de cinema portuguesas com o titulo do Bond mais curto de sempre. Mas para os amantes da saga a duração não será um problema até porque se espera um filme trepidante do primeiro ao último segundo. A história funciona (pela primeira vez) em formato de sequela. Bond captura Mr. White de forma a descubrir quem está por trás da morte da sua amada, Vesper Lynd. As informações levam-no a perseguir um prestigiado “ambientalista”, Dominic Green, em viagens por zonas tão distintas como a Venezuela, Austria ou Itália. Nesta aventura o agente secreto contará com a ajuda de uma misteriosa mulher, Camille, que também tem contas pendentes por ajustar.
O filme é realizado por Marc Forster (Finding Neverland, Monster´s Ball, The Kite Runner) e conta no elenco para lá de Daniel Craig com Judi Dench, que repete como M, a ucraniana Olga Kurylenko, Mathieu Almaric, Gemma Atterton e Jeffrey Wright.
Esta semana estreiam igualmente:
A Arte de Roubar volta a colocar no mesmo filme o trio principal de Call Girl. Ivo Canelas, Nicolau Breyner e Soraia Chaves colocam-se às ordens de Leonel Vieira (A Selva) nesta comédia de ladrões com direito a viagem até à Argentina. O filme segue as desventuras de dois ladrões amadores que são contratados para roubar um valioso quadro de van Gogh numa quinta abandona. Mas, como é esperado, o assalto torna-se mais complicado do que parecia à primeira vista.

Estreia igualmente no circuito mais independente o documentário Le Premier Cri. O projecto é da autoria de Gilles de Maistre e investiga a vida de uma comunidade berbere do Norte de Africa.

O novo filme de Quentin Tarantino já está em marcha mas hoje foi anunciado um novo nome para o elenco.
Samuel L. Jackson, veterano na filmografia de QT, será o narrador das aventuras de um grupo de soldados de ascendencia judaica que durante a acçao militar em territorio frances se dedica a matar oficiais nazis.
O elenco do filme conta com Brad Pitt, Daniel Bruhl, Diane Kruger, Eli Roth, Mike Meyers e Maggie Cheung.
O filme tem estreia marcada para o próximo Festival de Cannes.

Depois de confirmar nas entrevistas que deu sobre a estreia de Gran Torino (prevista para o mes de Dezembro), que este seria o seu último filme como actor, Clint Eastwood voltou atrás com a sua palavra.
O cineasta vai protagonizar o seu próximo filme, que começará a rodar no inicio de 2009. O titulo anunciado de momento para o projecto é "Remembering Mark Twain" e o realizador-actor dará vida ao famoso autor de The Adventures of Tom Sawyer.
Não se sabem ainda mais detalhes sobre o projecto, mas espera-se que nos próximos meses se comece a conhecer o elenco completo do filme.

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