Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Oscarwatch 2008 - Melhor Actriz Secundária

É a corrida mais aberta porque, na verdade, qualquer nomeada pode vencer. A ausência de Kate Winslet, automaticamente transferida para a categoria principal, deixou todas as contas confusas, apesar de ser quase consensual que Penélope Cruz parte como favorita. Mas isso pode não ser suficiente.

 
A actriz espanhola está pouco tempo em cena num filme que nem tanta gente viu e não é um grande nome em Hollywood, por muito que em Espanha tentem dar essa ideia. Nem tem o talento de Bardem, nem está no filme do ano. Mas é favorita porque a divisão é demasiado grande para lançar outro nome forte para a contenda.
 
Amy Adams poderia ser esse nome. É jovem. É uma promessa local. Já conta com uma primeira nomeação e cumpre quase todos os requisitos que levam a Academia a premiar uma actriz secundária. Mas ao estar nomeada com uma colega em cena, Viola Davis. Pode arrebatar votos importantes. Porque apesar da cena que muitos consideram arrebatadora, Davis tem menos potencial do que Adams para bater o pé a Cruz.
 
Também Marisa Tomei pode repetir o triunfo de My Cousin Vinny. Mas a personagem é polémica, o filme não teve o apoio esperado e estão todos concentrados em Mickey Rourke. Seria uma grande surpresa, mas o facto de ser uma actriz muito acarinhada localmente pode trabalhar a seu favor.
 
Por fim há ainda Taraji P. Henson, a menos mediática de todas mas provavelmente aquela que mais marca deixa no seu filme, onde dá corpo à mulher que educa Benjamin Button. Um óptimo papel mas que perde pela falta de magnetismo que o filme parece ter provocado nos votantes.
 
 
E O ÓSCAR VAI PARA
A espanhola Penélope Cruz tem coleccionado um poderoso grupo de admiradores suficientes para dar-lhe um prémio que não lhe assenta muito bem. O seu curto e inconsequente papel em Vicky Cristina Barcelona foi convencendo a critica, que lhe começou por outorgar vários prémios, mas a verdade é que as derrotas para Winslet no SAG e Globos fragilizam, e muito a sua candidatura. O triunfo nos BAFTA confirma-a como favorita, mas a categoria continua muito dividida.
 
RIVAL
Não seria surpresa nenhuma que a espanhola ficasse com ar de poucos amigos quando ouvisse o seu amigo Javier Bardem anunciar o nome de Amy Adams. A jovem actriz norte-americana, de todas as nomeadas, é a mais popular nos Estados Unidos e é tida como uma fortíssima promessa em Hollywood. O seu desempenho é o mais marcante no filme que a nomeia, Doubt, que poderá conseguir aqui um Óscar de reconhecimento a um elenco que foi nomeado na sua totalidade. Neste momento seria a escolha mais lógica.
 
SURPRESA
Marisa Tomei até já venceu esta categoria, há quase quinze anos, mas o seu desempenho em The Wrestler como uma stripper de meia-idade que encontra num lutador de wrestling um companheiro para os momentos de vazio tocou muita gente. A ponto de fazerem dela uma candidata fortíssima. A polémica personagem – aparece nua na esmagadora maioria das cenas – e o facto do filme não ter caído tão bem como se imaginava, a juntar ao Óscar que já tem na prateleira fragiliza uma candidatura que poderia ganhar com a divisão do voto nas actrizes de Doubt e a pouca simpatia que desperta nos mais veteranos a actriz castelhana.
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Autor Miguel Lourenço Pereira às 15:28
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Estreias - Quem bate à porta?

Sabe a pequeno drama emocional. E é um pequeno drama emocional.

 

The Visitor tem o condão de permanecer à superfície quando outros se afundam. Assenta numa história básica, num elenco interessante mas longe de atrair os olhares mais distraídos. Mas o registo funciona. De tal forma que se tornou num dos mais elogiados projectos de 2008 a ponto de valer ao seu protagonista, Richard Jenkins, uma nomeação ao Óscar de Melhor Actor. A premissa do filme é simples mas eficaz. Walter Vale, professor universitário viúvo, regressa ao seu domicílio em Mannathan, após uma longa ausência, e descobre que aí vive um casal de emigrantes clandestinos.

 

Ao susto inicial segue-se uma busca constante de conhecimento: quem são, de onde vem, o que fazem aqui…o que fazer com eles. Mas a solidão do homem, que cumpre todos os estereótipos à partida do branco de classe média norte-americano, leva-o também a querer ir mais além. E a descobrir os Seres Humanos por detrás daqueles visitantes.

 

De tal forma que é o próprio quem se torna no visitante da sua realidade. Um filme simples e honesto que não destaca pela brilhantez, mas que é um honrado exercício de honestidade cinematográfica, capaz de despertar a curiosidade daqueles que não gostam de se ficar pelas aparências.

 

Esta semana estreiam também:

 

O cinema de animação vive uma época de efervescente criatividade. Mais uma prova é Coraline. Herdeira da estética das animações de Tim Burton, o filme de Henry Selick joga com o dúbio mundo das fábulas de uma forma habilidosa. Uma jovem, amargada pela vida que leva, procura desesperadamente abrir uma porta que a leva a um mundo onde todos se divertem. Quando o consegue percebe que a realidade pode ser bem menos perigosa do que muitas fantasias.

 

Hotel for Dogs junta todos os estereótipos das comédias de adolescentes em tom romântico, ao que se une uma matilha de divertidos cães para ajudar à festa. Dois órfãos transformam um hotel num canil livre onde acolhem todos os cães abandonados que encontram. Mas a chegada de um inspector da segurança social põe em perigo o seu projecto.

 

The Pink Panther 2 continua a saga do inspector mais desastrado da polícia francesa. Steve Martin e Jean Reno, continuam na sua busca dos mais perigosos ladrões do Mundo e desta vez contam com a ajuda de Ashwary Ray e Emily Mortimer para dar o toque feminino a esta sucessão de disparates.

 

Redline segue o espírito lançado por The Fast and the Furious. Uma jovem vocalista de um grupo rock envolve-se no meio underground de corridas ilegais de carros de alta velocidade. No meio deste mundo masculino ela terá de se impor. Dirigido por Andy Cheng, o filme está protagonizado por Nadia Bjorlin.

 

Maradona by Kusturica é mais uma prova do amor incondicional deste excêntrico cineasta sérvia por Diego Armando Maradona, para muitos o melhor jogador a pisar um relvado de futebol. O filme, que até esteve em Cannes, segue o craque argentino em tom de documentário à medida que vai recuperando imagens que fizeram parte da história deste mito vivo do desporto-rei.

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 10:42
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FANTAS 2009 EM 10 FILMES - I PARTE

Para celebrar mais uma edição, a 29, do mais internacional dos festivais de cinema em Portugal, propomos uma análise a 10 dos filmes que provavelmente irão marcar o certame. E se é certo que o Fantas – como quase todos os festivais – deixa sempre abertas as portas à surpresa, também é verdade que estes projectos serão as jóias da coroa que a organização do festival, a contas com graves problemas de sobrevivência económica, se enorgulhecem de apresentar aos cinéfilos portuenses, e não só, que nos próximos quinze dias irão tomar parte desta celebração cinematográfica.

 
Bem vindos, portanto, ao Fantas 2009!
 
CHE EL ARGENTINO
(Abertura Festival, fora competição)
 
Primeira parte de um diptico de mais de quatro horas sobre a vida do revolucionário Ernesto “Che” Guevarra, Che, el Argentino é a investida de Steven Soderbergh sobre a primeira fase da aventura do doutor argentino que se tornou guerrilheiro. Longe da poesia onirica de Diários de Motocicleta – que aborda o Ernesto antes de se transformar em Che – o filme mergulha o espectador na revolução cubana, que consagrou Che como símbolo da revolução latina numa espécie de constante flashback do próprio guerrilheiro a partir de uma entrevista que este realiza, aquando da sua visita à sede das Nações Unidas. Um filme onde o elo forte é sem dúvida alguma Benicio del Toro e que se perde numa série de pormenores que fazem com que a obra perca ritmo e coerência. Em Portugal é estreia absoluta depois de ter passado o ano quase incólume apesar de todo a expectativa gerada pela estreia no passado mês de Maio em Cannes.
 
BELLINI E O DEMONIO
(Secção Cinema Fantástico)
 
Frenético drama fantástico brasileiro onde a morte e o demónio levam à loucura um detective, determinado a resolver uma série de crimes misteriosos. À medida que se vai envolvendo cada vez mais na investigação, Bellini vai também criando um mundo fantástico na sua mente que o asfixia levando-o cada vez a sentir que se encontra possuído pelo Demónio. Um retrato acutilante das tradições mais escuras da cultura tradicional brasileiro num filme de Marcelo Galvão que já correu os principais festivais europeus com boa nota.
 
HANSEL AND GRETEL
(Secção Orient Express)
 
Pil Sun-Ying retoma a tradição mais onirica do cinema de terror oriental que vive actualmente em quebra, depois do boom do virar do século. Em Hansel and Gretel voltamos ao mundo dos contos infantis e das fábulas quando um homem, perdido no meio de uma estrada deserta, aceita o convite de uma rapariga a acompanha-la até à sua pequena casa, isolada de tudo e todos. Aí ela vive com os seus irmãos, mas a pouco e pouco o homem vai-se dando conta de que ali ninguém envelhece, e que tudo se rege com base em fábulas já escritas. Para escapar ele próprio terá de pegar no livro dos contos e escolher a história mais propicia para os seus planos…a que já está escrita com o seu próprio nome.
 
ASTROPIA
(Secção Cinema Fantástico)
 
Delirante filme com tons de comédia, Astropia é o nome de uma livraria fantástica onde um dia entra Hildur, uma jovem cujo namorado acaba de ingressar na prisão e que procura desesperadamente um emprego. É aí que ela começa a trabalhar com um grupo de “geeks” delirantes que lhe apresentam a uma realidade para ela totalmente desconhecida: o mundo fantástico. A pouco e pouco, Hildur vai-se apaixonando por este novo mundo tornando-se parte do grupo. Até ao dia em que o seu namorado foge da prisão e rapta-a, determinado a devolve-la ao seu antigo estilo de vida. É aí que o seu novo grupo de amigos se junta para a salvar e devolver ao universo fantástico. A direcção é do islandês
 
Gunnar B. Gudmundsson e como protagonista está a beleza local, Ragnhildur Steinunn Jónsdóttir. Um filme que segue o espírito das obras nórdicas que sempre acabam por ser bem acolhidas no certame.
 
THE UNBORN
(Secção Cinema Fantástico)
 
O argumentista de The Dark Knight, David S. Goyer, envolve-se na realização deste projecto de terror que tem levantado alguma suspeita por parte da crítica especializada. The Unborn mergulha na história de um grupo de espíritos de mortos que se recusam a abandonar o mundo dos vivos e que procuram as almas de gémeos mortos para possuir os corpos dos sobreviventes e assim garantir a sua sobrevivência. Um filme repleto de tradições fantásticas judias e que conta com Gary Oldman como principal nome num elenco repleto de segundas figuras do cinema fantástico norte-americano.
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Autor Miguel Lourenço Pereira às 09:43
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Oscarwatch 2008 - Melhor Argumento Adaptado

Esta é a categoria onde disputam os pesos pesados da categoria de Melhor Filme. Como é habitual aliás. E como o prémio de Realizador e Montagem, é uma das vitórias quase obrigatórias para qualquer filme que queira triunfar na cerimónia.

 
Daí que Slumdog Millionaire forçosamente parta como favorito, apesar de que o filme se afasta bastante do trabalho original e funciona quase como se fosse mesmo um guião original. No entanto o acumular de vitória de Simon Beaufoy indica que será quase impossível arrebatar-lhe a estatueta dourada.
 
Na refrega estão The Reader, com argumento de David Hare, Doubt (de John Patrick Shanley, que também dirige), o trabalho de Peter Morgan, na adaptação da sua peça Frost/Nixon e claro, o argumento de Eric Roth para The Curious Case of Benjamin Button.
 
Mas por muito forte que seja a categoria (The Dark Knight ficou de fora), a vitória de Slumdog é praticamente garantida.
 
 
E O ÓSCAR VAI PARA
Inevitavelmente Slumdog Millionaire. E ainda é preciso explicar porque?
 
RIVAL
É agora mesmo o único filme que pode estragar a festa do filme da Fox. The Reader é um filme tipicamente oscarizavel e a velha legião nomeou-o para as categorias principais por algo. E esta categoria é chave.
 
SURPRESA
Um prémio de reconhecimento a um grande filme com múltiplas nomeações mas que parece passar ao lado dos prémios. No entanto ao argumento de The Curious Case of Benjamin Button parece faltar o lado apelativo que tem o seu maior rival.
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Autor Miguel Lourenço Pereira às 20:13
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Oscarwatch 2008 - Melhor Argumento Original

Foi provavelmente uma das categorias mais surpreendentes no dia das nomeações. De fora ficou Woody Allen, Jenny Lumet e Charlie Kauffman, um trio de respeito que tinha assinado alguns dos argumentos mais aplaudidos do ano. Dentro estavam Mike Leigh – que aqui conseguiu a única nomeação para o seu filme – Courtney Hunt e In Bruges.

 
No entanto a luta pela estatueta dourada será a dois, entre Milk e WALL-E.
 
O primeiro poderá receber aqui um prémio pela mensagem politica que transmite claramente e a vitória no WGA sublinha bem o seu favoritismo. No entanto WALL-E pode ser a grande surpresa. Foi o primeiro filme da Pixar a conseguir seis nomeações e qualquer vitória que não seja a do previsível Óscar de Filme Animado é um triunfo. Numa categoria “séria” como esta, mais ainda. Mas o guião de Andrew Stanton pode parecer demasiado “juvenil” para um sector veterano da audiência e não tão militante para os mais liberais.
 
A grande surpresa pode vir do filme “indie” do ano, Frozen River. Uma nomeação surpresa para a também directora Courtney Hunt que poderá conseguir um forte apoio para os apoiantes desse Hollywood mais realista. De outro lado estão os britânicos que dividirão os votos entre Happy-Go-Lucky e In Bruges, também duas surpresas no dia das nomeações.
 
 
E O ÓSCAR VAI PARA
Dustin Lance Black deu um emotivo discurso ao recolher o WGA. Provavelmente na noite de 22 terá oportunidade de o repetir diante de uma audiência ainda maior. É o espírito de Harvey Milk que pode ter aqui a sua grande recompensa, depois de que os prémios principais (salvo o de Actor) estarem praticamente entregues.
 
RIVAL
WALL-E segue a recente tradição dos grandes êxitos da Pixar. Mas é o primeiro com verdadeiras hipóteses de vencer. Andrew Stanton assinou o argumento mais maravilhosamente genial do ano, mas da mesma forma que há um preconceito que o impediu de ir mais além nas restantes categorias, também aqui será difícil vencer. Seria histórico!
 
SURPRESA
Foi uma das vencedoras da Sundance de há um ano e passados 365 dias volta à ribalta. Courtney Hunt fez de Frozen River um filme verdadeiramente “indie” e apesar da critica a ter constantemente ignorado, a Academia preferiu uma dupla nomeação para o filme (com Melissa Leo igualmente nomeada), o que dá claramente a ideia de que se há alguém que pode surpreender, é este.
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Autor Miguel Lourenço Pereira às 15:23
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Slumdog Millionaire - Todos adoram um underdog (e isso também é Cinema)

Vindo do nada, sem armas de peso na mão, saltou para a ribalta, deixou todos em suspenso e imergiu como o grande ganhador. Falamos de Slumdog Millionaire? Ou de Jamal Malik? Dos dois. São gémeos siameses. E vivem da mesma filosofia. O “underdog” ganha sempre. E conquista o coração da audiência como nenhum outro. E Slumdog/Jamal tem ainda um bónus a seu favor: faz-nos sentir melhor com a nossa vida.

 
Longe do pessimismo da inevitabilidade da morte de Benjamin Button. Do complexo de culpa de The Reader. Do fantasma da morte de Milk ou da polémica de Frost/Nixon. Muito longe da realidade que palpamos dia após dia sob o fantasma da crise. Simplesmente em cima de um comboio com destino…nenhum sitio. Slumdog Millionaire é a injecção de positivismo que o Mundo precisa. Chegou a tempo e horas para provar que a esperança nunca (deve) morrer. E no meio de tanta pobreza e miséria, de tanta morte e dor, saca o seu melhor rosto e quase recriminatoriamente questiona o mundo. Aos que se queixam de que não são capazes de pagar a hipoteca, que tal acham de dormir ao relento? Aos que se queixam da dureza e monotonia do seu trabalho, que tal se lhe arrancarem os olhos para cobrar uns cêntimos a mais? E para os que se gabam de tudo saber, essa inteligência sobre-humana que abunda nas “pseudo” elites intelectuais, aqui tem a prova de que a escola mais eficaz continua a ser a escola da vida. Slumdog Millionaire é isso mesmo. Não um filme sobre as barracas que asfixiam um país que quer ser potencia mundial. Não um olhar triste e crítico a uma juventude perdida, entregue a mafiosos e ao relento de um céu impiedoso. Nem sequer um filme que funciona como critica ao poder dos Mass Media nas sociedades do Terceiro Mundo. É um filme sobre a magia da escola da vida. E é essa proximidade, essa capacidade de mergulhar num monte de esterco e sair com um verdadeiro sorriso, que faz com que estejamos diante daquele que é, provavelmente, um dos maiores feel-good movies de sempre. Mesmo com a dor. Mesmo com a morte. Mesmo com o sofrimento. Isso é o de menos. O demais é o olhar traquinas daquelas crianças a correr pelos bairros de lata. Ou o rosto apaixonado de um jovem que nunca esqueceu.
 
A nível cinematográfico Slumdog Millionaire é uma pequena pérola que não está isenta de imperfeições. Mas que as sabe disfarçar maravilhosamente. O início é frenético e bastante corrosivo mas é durante o percurso da vida de Jamal – em particular nas suas primeiras etapas – que o filme explode verdadeiramente. Um rosto colorido e dramático de um país que continua a viver a meio termo entre a afirmação mundial e a tradição local que se intercala fabulosamente com o presente. Esse exercício de edição constante onde vamos descubrindo o porquê de Jamal, esse pobre quase analfabeto de um bairro pobre de muçulmanos, saber as respostas para perguntas francamente complexas e que à partida lhe eram inacessíveis. O jovem não reconhece o rosto de Gandhi numa nota mas conhece a de Benjamin Franklin, a face dos 100 dólares. Porque? Porque a vida assim o ditou. E é esse motor que vai empurrando Jamal para o seu destino, num exercício de coerência aguda, mas também, de algo de fantasia. Porque o filme é exacto sem nunca cair no exagero. Mas porque força muitas portas para poder sair airoso das situações mais complexas. E se o final é, claramente, o ponto mais débil de toda a narrativa (não o genérico final, que esse sim, é delicioso), não ficamos com azia. E esse é o poder principal da obra de Boyle – num excelente exercício de realização – o de deixar de bom humor o mais sisudo dos espectadores, por muitos erros que encontre pelo caminho. E saber aliar as fraquezas com as virtudes. Se o elenco de actores é sóbrio (bom trabalho do reparto local, com excepção de Freida Pinto que por lá anda mais como rosto bonito do que propriamente como actriz), com particular realce para os mais pequenos protagonistas (Dev Patel também está bem, mas não extraordinário), é impossível não se deixar perder no limbo da imaginação com Paper Planes, O´Saya ou Jai Ho, esses retalhos fabulosos de uma banda sonora que mantém o frenetismo do filme do primeiro ao último frame.
 
Slumdog Millionaire é o campeão anunciado do ano. E a verdade é que fez por merecê-lo. Num ano negro onde todos (até WALL-E por aí anda, se bem que em tons bem mais românticos), mas todos os filmes apostaram na negatividade da mensagem que acompanha bem o espírito do quotidiano, Danny Boyle concebeu um filme imortal que servirá sempre para arrancar sorrisos e alegrar corações. E porque o cinema também é isso, Slumdog Millionaire longe do espírito crítico, artístico ou intelectual que sempre se procura nas grandes obras, provou que a grande magia do cinema continua a ser a de despertar ilusão no coração do público. Foi assim no princípio. E sempre o será.
 
É a resposta D. O destino!
 
Classificação
 
Realizador – Danny Boyle
Elenco – Dev Patel, Freida Pinto
Productora – Fox Searchlight

Classificação – m/12

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Autor Miguel Lourenço Pereira às 00:39
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Oscarwatch 2008 - Melhor Filme Animação

Uma categoria sem história que contar.

 

WALL-E entra na gala como vencedor antecipado, mais até do que Slumdog Millionaire na categoria principal. E tanto se falou de que o filme da Pixar até podia fazer história e entrar nos grupos selecto dos cinco melhores, que se foi retirando importância à sua vitória na categoria de Melhor Filme Animado.

 
A consegui-lo – fala-se num total de entre três a quatro vitórias para o filme, um possível novo recorde – WALL-E continuará a tendência da Pixar em fazer história. Depois das vitórias consecutivas no início da década e do triunfo esmagador de Ratatouille no ano passado, parece cada vez mais rotineiro que o filme da Pixar apareça e triunfe de forma tão clara. Mas a qualidade de WALL-E está fora de qualquer discussão. Tal e qual como o seu triunfo.
 
 
E O ÓSCAR VAI PARA
Provavelmente – e mais do que filme animado – um dos melhores filmes dos últimos anos. WALL-E terá aqui o seu prémio de consolação, mas continua na cabeça de muitos bem presente a injustiça que foi deixá-lo de fora do prémio principal.
 
RIVAL
A Disney comprou a Pixar e parece que a veterana produto voltou aos seus melhores dias. O sucesso de Bolt é a prova viva dessa realidade. Um filme refrescante e divertido que resume bem o espírito do cinema de animação infanto-juvenil. Uma das boas surpresas do ano.
 
SURPRESA
Teve bastante marketing mas a nível de qualidade fica a anos-luz do seu rival. Kung Fu Panda até teve direito de passar por Cannes – o que não é muito habitual no cinema de animação – mas o sucesso de WALL-E e também de Waltz with Bashir, deixou-o reduzido à condição de nomeado sem mais. E já é muito.
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Autor Miguel Lourenço Pereira às 20:31
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Oscarwatch 2008 - Melhor Filme Lingua Não Inglesa

Todos os anos a polémica repete-se.

 

À hora de nomear, a Academia “esquece-se” quase sempre dos filmes mais marcantes do ano e reduz a luta a um conjunto de filmes mais ou menos desconhecidos do grande público. Este ano isso sucede-se com quase metade dos nomeados. E porque o mediatismo é fundamental à hora de receber prémios, o mais falado filme dos últimos meses, Waltz with Bashir, é o grande favorito.
 
Documentário animado, relato profundo de um trauma profundo numa geração perdida, Waltz with Bashir continua, hoje, a ser um filme actual apesar de tratar uma história com mais de vinte e cinco anos. Um excelente exercício artístico que no entanto não corre só.
 
Entre os seus principais rivais estão o alemão The Baader-Meinhof Complex e o francês Entre les Murs. O primeiro é um filme mais convencional, num registo histórico que já possibilitou Óscares passados a outros filmes que seguem a mesma dinâmica. Quanto ao filme francês, que muitos achavam que não entraria sequer na corrida, vive num relato quase documental e é uma profunda análise sociológica à educação que hoje se vive em países multiculturais como é o caso francês. Dois projectos interessantes, nos seus pontos de vista, mas que dificilmente arrebatarão ouro ao filme israelita.
 
Praticamente fora da corrida – e praticamente desconhecidos – estão o japonês Departures, um relato bem oriental num registo que a Academia gosta sempre de premiar – e o sueco Revanche, que roubou o protagonismo ao filme mais popular do ano na Suécia, Everlasting Moments.
 
 
E O ÓSCAR VAI PARA
Poderia ter lutado por duas estatuetas mas a Academia relegou-o à categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa. É o claro favorito, o grande vencedor entre os concorrentes e aquele com uma mensagem mais próxima à Academia pela sua forte ligação com Israel. Waltz with Bashir é o alvo a abater.
 
RIVAL
Triunfou em Cannes e foi um dos filmes mais aplaudidos do ano na Europa. Nos Estados Unidos foi olhado de lado e muitos não o esperavam ver nomeado. Mas superou Gomorra, muito mais mediático, e surge agora como um dos possíveis rivais do filme de Folman. Entre Les Murs seria a vitória de uma visão alternativa ao ensino, mas também uma nova visão da Academia ao cinema europeu. Daí que seja pouco provável que vença.
 
SURPRESA
The Baader-Meinhof Complex segue a politica de revisitação histórica que tem marcado os últimos anos do cinema alemão. Um filme sobre as Brigadas Vermelhas é só um pretexto para, uma vez mais, os alemães se colocarem no papel de inquisidores deles próprios. O filme foi bastante aplaudido mas não deverá ter o pedigree suficiente para ganhar.
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Autor Miguel Lourenço Pereira às 16:30
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