Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
2008 não ficará para a história do cinema como um dos seus melhores anos. Nem dos mais emotivos. A entrega dos prémios da Academia, já bem entrada 2009, culmina o ano cinematográfico que ficou marcado pelo optimismo ecológico de WALL-E e o ar sombrio de The Dark Knight e Revolutionary Road, nos Estados Unidos, e a análise critica de importantes sectores da sociedade europeia (Entre les Murs e a educação, Gomorra e o sistema politico corrupto). O ano da crise foi também o ano de Obama e para acompanhar esse ar de “yes we can”, o mundo cinematográfico escolheu o seu embaixador.
Slumdog Millionaire é o único filme de 2008 que encarna esse espírito. E é por isso o ganhador antecipado.
Há muito tempo que não existia um consenso tão grande à volta de um filme. E não o é pelo sucesso e culminar de uma trilogia de sonho, como The Return of the King. É claramente um consenso baseado na mensagem feel-good e no carácter positivo que o filme ressalta constantemente. Nesse mundo globalizado onde um terço do filme que conquistou o Ocidente é falado em hindu. E onde os seus actores são jovens locais ou nomes verdadeiramente desconhecidos.
A corrida aos Óscares deste ano terminou há muito tempo. Mesmo antes das nomeações. Durante meses todos evitaram falar no inevitável. Mas ele concretizou-se. Hoje, Slumdog Millionaire é já um dos filmes mais premiados da história do cinema. Só lhe faltam as estatuetas douradas. Só faltam dez dias, para completar o jackpot. E não lhe será difícil. Se bem que impossível chegar aos 10 Óscares (tem o mesmo número de nomeações, mas duas na mesma categoria, Melhor Tema Original), poucos são os que não acreditam numa vitória clara de um filme que dos dois lados do Atlântico conquistou o público, a critica e as associações de prémios. A corrida principal há muito que acabou. E bem mais cedo do que noutros anos. Resta saber por quantos será a vitória do filme em que poucos acreditavam há meio ano e que agora parece ser um consenso inevitável.
Curiosamente há muitos anos – provavelmente desde a luta a três de 2003 – que a corrida ao Óscar de Melhor Actor não era tão disputada. Frank Langella foi o primeiro entre os favoritos, mas apesar dos votos dos mais conservadores, dificilmente arrebatará a estatueta como conseguiu com o Tony. Restam dois nomes que tem dividido prémios e atenções. Sean Penn, por um lado, venceu o SAG (o que não conseguiu por Mystic River, por exemplo), mas perdeu na corrida aos Globos e aos BAFTA. E perdeu para Mickey Rourke, que num verdadeiro comeback, arrebatou o coração dos votantes e pode causar a verdadeira grande surpresa da noite. Porque Penn continua a ser o favorito. Só que é um favorito em cheque.
Na categoria feminina a luta também começou a três mas aqui também Anne Hathaway perdeu o gás que inicialmente a cotava como favorita. Restam Meryl Streep e Kate Winslet, dois monstros e pesos pesados que acumulam mais lágrimas do que qualquer outra actriz no activo. Winslet tem aqui a sua sexta nomeação, mas nunca venceu. Streep já tem dois Óscares, mas a verdade é que conta igualmente com treze nomeações, e a última vitória foi em 1982. Muito tempo para alguém do seu calibre.
A dez dias da entrega dos Óscares estamos perante um cenário que dificilmente se alterará. Todos os grandes prémios da crítica, sindicatos e indústria já foram anunciados. Slumdog Millionaire é mais do que favorito, é uma certeza. The Curious Case of Benjamin Button corre o risco de se tornar num dos maiores derrotados de sempre. Tem 13 nomeações mas há quem vaticine até que pode ir para casa de mãos-vazias. O mesmo com Frost/Nixon, que das cinco nomeações que tem é provável que não vença nenhuma. Milk vive na hipótese de ficar a zero já que as únicas hipóteses de vitória que tem (Actor/Argumento Original), são também duas das categorias mais incertas. E quanto a The Dark Knight e WALL-E, os dois filmes mais bem sucedidos do ano – junto do público e também da critica – podem sair com muitos mais Óscares que qualquer dos candidatos a Melhor Filme, de onde foram excluídos. Sem contar com Slumdog, está claro, que a esse milionário ninguém lhe tira o ouro da vitória.
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Uma mulher que gosta que lhe leiam. Uma mulher qualquer, entrada quase na meia idade, que se relacciona com um jovem adolescente de quinze anos. Entre o sexo e a paixão, a leitura. Mas também, o esquecimento. E quando a verdade vem à tona, a memória ao de cima, a vergonha pode mais do que o querer. A vergonha de um povo, encarnado aqui por um jovem que não sabe como olhar para o seu passado mas que também não sabe muito bem como encarar o futuro.
The Reader é uma profunda analise social ao pensamento alemão do pós-guerra. Um filme mais do que sobre o Holocausto, é sobre o sentimento de culpa (ou a sua ausencia) que assombrou os alemães nos anos que se seguiram à guerra. Frente a frente um jovem idealista que descobre a tenebrosa verdade sobre uma mulher da qual se apaixonou perdidamente, e para quem lia, noites sem fim. E uma jovem encurralada pelas circunstancias que procurou o caminho mais fácil para sobreviver e foi mais tarde obrigada a pagar, com juros, o erro que cometeu.

O esteta Stephen Daldry regressa, depois de sete anos de ausencia, com um filme profundamente dramático, que acenta no desempenho de Kate Winslet, no seu ano dourado, e numa poderosa mensagem subliminar: o que é o Ser Humano, senão as circunstancias da sua própria existencia?
Um dos grandes candidatos aos Óscares (parte com cinco nomeações), The Reader tem tudo para ser um dos filmes mais marcantes de 2008.
Esta semana estreiam igualmente:
Jonathan Demme pegou numa handy-cam, juntou uma familia multi-cultural e disfuncional e chamou-lhe América. No meio deste rebuliço está uma jovem, egoista, egocentrica e mimada, que é também uma toxicodependente em recuperação a quem lhe permitem assistir ao casamento da irmã. É aí que ela terá de se confrontar com a familia que sempre a viu como a ovelha negra, e com o seu próprio comportamento. O filme passou de ser o "indie" do ano, a ficar na retina apenas e só pelo desempenho de Anne Hathaway, nomeado ao Óscar de Melhor Actriz pelo seu papel. Mas atrás de Rachel is Getting Married há ainda o argumento de Jenny Lumet, e uma imensa ansia de afirmação de uma América que quer ser manifestamente diferente.

É um dos realizadores mais originais da cinematografia britanica, e com Happy-Go-Lucky, volta a comprová-lo. Mike Leigh já não traz o tom agridoce de Secrets and Lies. Traz uma optimista inveterada que decide que se o Mundo não sorri, sorri ela para ele. Sally Hawkins dá uma das performances do ano como a jovem optimista Poppy, professora de uma escola primária, que no dia em que decide aprender a conduzir, muda por completo a vida dos que a rodeiam.

De França chega Baiser s´Il Vous Plait, a nova comédia romantica da menina bonita do cinema gaules, Virgine Ledoyen, dirigida neste caso por Emmanuel Mouret, que divide com ela o protagonismo desta história de um casal que se conhece por acaso e se apaixona perdidamente.

Regressado dos mortos, Friday the 13th recupera a saga de Jason Voohress, um dos mais temidos slashers do cinema de terror adolescentes dos anos 80 e 90. O filme, dirigido agora por Marcus Nispel e protagonizado por Jared Padelacki e Dannielle Panabaker, volta a juntar um grupo de adolescentes mesmo debaixo das garras mortais de Jason.

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Aaron Eckhart. Richard Jenkins. Amber Heard.
São as tres grandes novidades de Rum Diary, o projecto de Johnny Depp inspirado na obra homónima do seu amigo, o escritor "maldito" Hunter S. Thompson, que o próprio actor protagonizara.
Os actores assinaram contrato para entrar no projecto que ainda este ano deverá começar a sua produção. Eckhart será o rival de Depp, enquanto que Jenkins dará corpo ao seu editor. Amber Heard, por sua vez, venceu Keira Knightley e Scarlett Johansson no casting para um papel que promete muita polémica e nudez (segundo as más linguas, esse último apartado deitou a perder a candidatura de Keira e Scarlett, bem menos voluntariosas que a desconhecida actriz para este genero de sequencias).
O filme segue a história de um jornalista, bebado e caído em desgraça, que consegue uma última oportunidade numa série de viagens pelo paradisiaco Porto Rico nos anos 50.
A direcção do projecto pertence a Bruce Robinson.

Há uma hipocrisia inerente a tudo o que é religioso. O dogmatismo e a intolerância são provavelmente, os únicos traços que aproximam pensamentos tão díspares como são as distintas religiões. Mas há alguns que conseguem ser, mais hipócritas que outras. E nesse capítulo a Igreja Católica vence, declaradamente, a todas as demais. Sem que existam grandes dúvidas. E a dúvida é algo que não existe à medida que Doubt se vai discorrendo ao nosso olhar. Apesar do último plano – fundamental para humanizar o ser mais desumano, quase divino até, de toda a narrativa – John Patrick Shanley vai deixando as suas pistas, aqui e ali, num rosto, num sorriso, num olhar, que não deixam margem para qualquer dúvida. A culpabilidade, e não a dúvida, é a mecânica da narrativa de Doubt, um filme adaptado directamente do teatro e que, como quase todos, tem grandes dificuldades em mudar de registo vivendo, acima de tudo, dos categóricos e apaixonantes desempenhos da sua troupe de actores.

Numa era onde a América vivia dias conturbados (JFK tinha morrido há poucos meses) um colégio religioso irlandês aceita pela primeira vez um aluno negro. Mas esse não é o dilema. A mudança, essa brisa que as novas fronteiras de Kennedy prometiam, vem sobre um novo vento de mudança que também emana o Vaticano. Uma igreja menos austera, mais próxima dos fieis. Uma Igreja encarnada por um sacerdote que não tem problemas em reunir os alunos para falar sobre namoradas e que se gaba da necessidade de ter as unhas bem limpas, mesmo que estejam ligeiramente grandes. E contra esse vento, essa tempestade que se vai anunciando a cada plano, surge uma estátua de pedra de olhar grave e implacável. Um ser que não acredita no poder da dúvida e da suspeita. Uma mulher de ferro quando outros quebram, um ser capaz de ir até às últimas consequências quando acredita que está certa. E como conhecedora dos lobos, ela sabe quando a matilha tem fome. E esta, particularmente, está esfomeada. A cena do banquete austero das freiras corta, em raccord, com o festim sangrento da confraria de padres, aqueles a quem todos devem obediência, a cadeia a que tem de se consultar em caso de algum problema. O circuito fechado que a Igreja montou para se proteger de si própria. E a máscara que caiu recentemente, revelando brutalmente a realidade que se escondia por detrás.
Sem nunca se mencionar explicitamente esta é a história de um padre que gostava de meninos, meninos jovens e perdidos. E gostava de lhes dar presentes e mostrar as unhas afiadas. Mas é também a história de um rapaz negro que levava porrada do pai por gostar daquilo que não devia. E no meio deste perigoso cruzamento, um sinal stop bem grande. Uma reitora que da mínima suspeita conclui o inevitável. O carisma faz o resto. O do padre Flinn tenta convencer todos da sua inocência. A falta dele faz da irmã James, um perigoso pau de dois bicos. E o estoicismo da madre superiora torna-a na trave mestra da narrativa. Ninguém admite a culpa oficialmente, ninguém sai plenamente convencido de tudo isto. Mas isso é, no fundo, o que menos importa. É uma questão de fé e de força de vontade que realmente faz a diferença. É um duelo perdido à partida mas que se vai desenrolando de forma intensa e arrebatadora. Para isso resulta fácil perceber o impacto que tem, neste tipo de adaptações, actores capazes de fazer da mais insossa das frases, um épico shakespeariano.

E se há, no Mundo, alguma actriz capaz de o fazer, essa é Meryl Streep. O seu desempenho é abrumador, desde o primeiro plano, onde ainda não lhe vemos o rosto mas já adivinhamos a presença, até à explosão final, num gesto de humanismo inesperado e perturbador. Streep é o motor constante da história, a alavanca necessária para fazer mexer o filme. Do outro lado da barricada, um sóbrio mas igualmente assombroso Philip Seymour-Hoffman (deveria ser obrigatório a Academia explicar o que faz um desempenho deste na categoria de “secundário” e não na de “principal”, onde seria um fortíssimo candidato). Ele encarna, no rosto bolachudo, no sorriso matreiro, perfeitamente o ideal do novo sacerdote católico. Moralista mas próximo por fora – é ele quem acusa quando se vê cercado – podre e frágil por dentro. E no meio, hesitante entre a suposta bondade do padre e a efectiva austeridade da freira, está a irmã James – uma insossa mas eficaz Amy Adams – o exemplo da igreja perdida entre a atracção da mensagem do futuro e a tradição do dia a dia religioso que continua bem presente na comunidade. Ela é o elo inocente por ser também o espelho de um país ingénuo. Do outro lado o país hipócrita, sob a forma de Viola Davis, a quem uns senhores lembraram de nomear e premiar umas quantas vezes por cinco minutos (se chega a tanto) de cena onde se desculpa e desentende de todo este drama.
É no entanto uma cena fulcral onde a moralidade dúbia da América fica completamente ao descoberto. Onde os podres aparentemente escondidos se revelam como claros e evidentes. E tal como é a América, o importante é conseguir os objectivos. As formas, essas, são irrelevantes. O importante é chegar lá. E a América chegou. E descobriu que afinal as formas também contam, quando já era tarde demais. Pelo caminho os lobos foram encontrando alguns pastores capazes de os fazer desviar caminho. Mas não parar. As unhas continuam bem grandes e prontas a rasgar a carne. Sem qualquer margem de dúvida.
Realizador – John Patrick Shanley
Elenco – Meryl Streep, Philip Seymour-Hoffman, Amy Adams
Classificação – m/16
Productora - Miramax
Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Quando o destino nos trai só existem duas opções: queixar-se eternamente do fado maldito que nos assombra, ou resignar-se com o inevitável e continuar o caminho. A maioria dos homens limita-se a maldizer a sua existência e abandonar-se num caminho sem retorno. Uns poucos levantam a cabeça e seguem em frente. Mas poucos são capazes de o fazer com tanta honestidade. Mesmo que o destino o tenha condenado a ver a sua vida andar para trás quando todos andam para a frente…ou será ao contrário?

O ritmo poético, lento e delicado que acompanha esta narrativa é tão cativante como o rosto envelhecido de uma criança que foi condenada a existir de forma diferente. E única. No final, conseguiremos perceber a magnitude de todo o drama e tristeza que acompanha a vida de Benjamin Button. Mas nos primeiros planos, aquela cara risonha e enrugada desperta, acima de tudo, carinho. Como qualquer criança. Da mesma forma que o seu rosto infantil desperta a mesma pena que nos dão aqueles idosos que, chegados já a uma provecta idade, conscientes do muito que viveram, se começam a esquecer que sequer existiram num último e derradeiro passo para o abismo final. Para Benjamin Button a morte é um ritual quase constante. Criado por uma vigorosa mulher (excelente Taraji P. Henson), responsável por gerir um lar de idosos, Benjamin cresce no meio dos seus (aparentemente) onde ninguém o veta e exclui por como é. Mas é à medida que o tempo vai passando, e a morte vai deambulando pela sua vida, que ele começa a perceber o verdadeiro drama de toda a sua existência. Até chegar ao momento onde, finalmente, se dá conta, do inevitável drama da sua condição. E quando todos alentam o desejo secreto de rejuvenescer à medida que os anos vão passando e o espelho nos vai devolvendo, com juros, aquelas caretas pueris, Benjamin só queria que o espelho parasse por um momento…e que esse momento se eternizasse.
Da obra original de F. Scott Fitzegerald, fica a ideia de base e o drama humano. A mão delicada de um verdadeiro autor como é David Fincher, trata do resto. O argumento reescrito por Eric Roth (o mesmo que esteve por detrás de Forrest Gump, com quem o filme parece ter similiaritudes apesar de viver no plano literalmente oposto) pode parecer pastelento e demasiado descritivo. Mas acerta na mouche ao não exagerar nunca, nem no aspecto visual, que depois do choque (já esperado) inicial se transforma em algo corrente, nem na parte emocional. Pelo contrário, Benjamin Button é um ser peculiar mas não por ficar mais novo a cada grão de areia que cai na máquina do tempo. É essencialmente um ser único pela forma como encara a vida. O que para todos é um gigantesco ponto de interrogação, para ele é uma inevitabilidade que há que encarar com o melhor rosto possível. Entende que enquanto os outros deambulam por festas, ele tem de se resignar ao seu rosto envelhecido. E que quando todos se preparam para reformar, ele vai descobrindo o mundo, de mochila às costas. Uma história tão peculiar e fascinante teria de ser sempre tratado com pinças, fosse como fosse, sob o risco de fazer desta magnifica história um freak show de exageros. E nesse campo, Fincher é aqui tão sóbrio como o foi em Zodiac, o seu último fabuloso trabalho que vive igualmente num registo de lentidão apaixonante, tão distinto do frenetismo de Se7en ou Fight Club. E tão poético.

Sob o fantasma do Katrina, esse temporal da Natureza da mesma forma que a vida de Button é um temporal da existência humana, vamos andando para trás e descobrindo a história da vida de um ser magnifico, e constantemente perturbante. E vivemo-lo nesse flashback tão vibrante e, ao mesmo tempo, tão tranquilo como o próprio desempenho de Brad Pitt, que aparece e desaparece por trás das sucessivas máscaras que lhe vão saindo, sem nunca deixar o mesmo registo de contenção que a personagem lhe exigia. Aqui não há, e voltamos à odiosa comparação, a estupidificação e o overacting de Gump (por muito genial que seja Tom Hanks). Pelo contrário, na maior parte das vezes que encontramos Benjamin, ele é um velho. Velho de rosto, a principio, mas, acima de tudo, um homem consciente da perigosa moralidade onde se encontra quando chega ao ponto fulcral da sua vida. E é precisamente nesse momento, para o qual sempre correu contra o tempo, que ele entende que não pertence a este Mundo e não tem o direito (não o terá, realmente?) de partilhar a vida de quem quer pelo simples facto de ser único. Essa sequencia chave do filme (o silencio de Cate Blanchett, sublime num papel que vive no limbo constante entre a perdição e a inevitabilidade, o olhar perdido e carnal de Pitt, as ruas desertas, a chave do passado), são a sentença da eterna perdição. É o momento em que todos aqueles que o viram rejuvenescer a olhos vistos e que esperam uma redenção miraculosa entendem, que para Benjamin Button, o final é pior que o principio.
Há uma dor constante e que ganha intensidade a cada plano que se sucede. Benjamin Button é um homem marcado pela dor. A dor do abandono. A dor da sua condição. E, principalmente, a dor de ter perdido aqueles quem mais queria sem poder sequer viver mais do que um breve par de momentos dignos de recordação. O curioso caso de Benjamin Button é a história de um homem que não nasceu para ser feliz, mas que procurou a felicidade em cada recanto da vida. Viveu e fez viver, despertou os outros da indiferença e soube escutar quando outros só ouviam, e soube ver quando outros apenas olhavam. Conheceu o mundo, mas, acima de tudo, teve tempo para conhecer-se a si próprio. E enquanto o relógio andava para trás e o tempo lhe ia devolvendo o rosto que afinal, nunca quis verdadeiramente ver, Benjamin Button olhou para o Mundo e percebeu que diante o sofrimento e a perda, há que erguer a cabeça e fazer-se à estrada…nem que seja para terminar onde tudo exactamente começou!
Realizador – David Fincher
Elenco – Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson
Classificação – m/16
Productora – Warner Bros.
Os prémios do sindicato de guionistas norte-americanos não fugiram à tónica geral e premiaram Slumdog Millionaire como Melhor Argumento Adaptado do Ano. Na categoria de Melhor Argumento Original o triunfo foi para Milk.
Numa entrega de prémios previsivel e obscurecida pelo glamour dos BAFTA, os WGA seleccionaram o filme de Danny Boyle como grande vencedor, premiando o trabalho de Simon Beaufoy diante de rivais de peso como The Curious Case of Benjamin Button ou The Dark Knight.
Quanto à categoria de melhor trabalho original, a vitória foi para Milk o que levou ao autor do guião vencedor, Dustin Lance Black, a proferir um emotivo discurso de apologia dos direitos dos homossexuais, ainda não completamente refeitos da derrota eleitoral de há uns meses na Califórnia, onde lhes foi retirado o direito a casarem legalmente diante a lei.
Os dois filmes perfilam-se assim como os grandes favoritos a vencer as respectivas categorias na próxima noite dos Óscares. Só WALL-E parece ser um rival à altura do filme de Gus van Sant enquanto que Slumdog Millionaire terá em The Reader o seu mais duro rival.
Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
Não se esperava outro cenário.
Slumdog Millionaire continua a sua caminhada rumo á glória coleccionando mais um prestigioso trofeu. Desta feita trata-se do prémio da industria cinematográfica britanica, os BAFTA. O filme - de produção inglesa - venceu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador (Danny Boyle), Melhor Argumento Adaptado (Simon Beaufoy), Melhor Fotografia (Anthony Dod Mantle), Melhor Montagem, Melhor Som e Melhor Banda Sonora. Sete triunfos que tornam o filme num dos mais galardoados de sempre da história da academia inglesa.
Quem também esteve em destaque foi a britanica Kate Winslet que triunfou como Melhor Actriz pelo seu deempenho em The Reader, batendo Meryl Streep, Anne Hathaway e Kristin-Scott Thomas que teve de conformar-se em ver o seu filme, Y´ll Ya Longtemps que Je T´Aime, vencer o prémio de Melhor Filme de Lingua Não-Inglesa.
Mickey Rourke bateu Sean Penn e transformou a corrida ao prémio de Melhor Actor num autentico quebra-cabeças, onde tudo é possivel. Heath Ledger e Penelope Cruz, triunfaram, como esperado nas categorias de Actor e Actriz Secundários.
In Bruges venceu a categoria de Melhor Argumento Original e WALL-E de Melhor Filme de Animação. The Curious Case of Benjamin Button teve de se confirmar com tres vitórias, em categorias técnicas, e Man On Wire venceu o prémio de Filme Britanico do Ano com Steve McQuen, autor de Hunger, triunfar como Realizador Ingles do Ano.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Depois da polémica que gerou The Last Temptation of Christ e The Passion of the Christ, o realizador Alejandro Agresti é o próximo a despertar a ira dos sectores mais conservadores com um projecto sobre a vida da Virgem Maria.
O filme chamar-se-á, Mary - Mother of Christ, e contará com a actriz e modelo de ascendencia brasileira Camilla Belle - co-protagonista de 10.000 B.C. - como protagonista. A narrativa pretende ser um retrato sobre a vida da mãe de Jesus Cristo, desde a infancia até ao nascimento de Cristo e a fuga para o Egipto.
O filme conta ainda no elenco com nomes de luxo como Peter O´Toole como Simão, Jonathan Rhys-Meyers como Lucifer e o Anjo Gabriel, Al Pacino como o Rei Herodes e Jessica Lange, como Santa Ana.
Agresti é um conceituado realizador argentino, autor em 2002 de um dos melhores filmes do ano, Valentin. A sua primeira aventura em Hollywood foi em 2006 com a romantico Lake House, com Keanu Reeves e Sandra Bullock.
A data de estreia originalmente prevista é o Natal de 2010.
