A ameaça está no ar. Pode ser a última oportunidade para um espectador poder pagar um bilhete de cinema para ver um filme de Clint Eastwood...no lado de cá do ecrã.
O actor/realizador/productor por excelencia do cinema norte-americano dos últimos vinte anos assina em Gran Torino aquela que poderá ser a sua despedida oficial como actor. Como realizador parece haver esperança. Pelo menos mais um filme este ano que Eastwood é como o bom vinho do Porto. Quanto mais anos amadurece melhor sabe ao paladar. Mas a sua faceta de actor, aquela que fez dele um icone nos anos 60 e 70, já se tinha tornado numa raridade nestas últimas duas décadas. Paulatinamente, como sempre, Eastwood foi saindo de cena. Protagonizou em 1993 o seu último filme não assinado por ele. E mesmo nos seus projectos começou a esconder-se por detrás de elencos formados por uma pequena troupe que o acompanha para todo o lado.

Gran Torino é portanto um ponto àparte na sua obra recente. Um filme à moda antiga onde Clint é Clint atrás e diante da camara. O cineasta clássico mantem-se sentado mas abre passo a uma revisatação do seu icónico Dirty Harry, agora em versão reformado de suburbios. Um cenário que muitos gostariam de nem sequer imaginar. Mas que está aí. Um filme poderoso e que faz sentido, numa América cada vez mais multicultural. Uma América que só este homem parece saber retratar com a dose certa de crueza e sonho.
Esta semana estreiam também:
Fechou o Fantasporto e transformou-se num fenómeno underground no final do ano passado. Paul Schrader assina com Adam Ressurected o seu regresso nesta obra psicótica e asfixiante de um centro psiquiatrico onde se tratam judeus traumatizados até ao limite pela sua passagem pelos campos de concentração. Assombroso Jeff Goldblum, um desses nomes dos anos 80 que parece ter andado adormecido estes últimos anos, num filme que tem ainda no elenco Willem Dafoe e Derek Jakobi.

Depois de ter sido a toxicomona em recuperação em Rachel is Getting Married, Anne Hathaway volta ás origens para mais uma comédia ligeira onde divide o ecrã com Kate Hudson, que insiste em querer transformar-se numa nova Meg Ryan (onde anda aquela actriz de Almoust Famous?). Bride Wars junta ambas num confronto para encher com a "sábia" direcção de Gary Winick.

Os remakes de filmes alheios já se tornaram trademark do cinema de Hollywood. Depois da vaga do terror oriental agora chegou a do cinema terrorifico made in Spain. Quarentine repete à exaustão a fórmula de REC e funciona como um copy-paste mais explicito mas menos trabalhado que o filme original, que foi um dos vencedores do Fantas2008. John Erik Doodle dirige a Jennifer Carpenter e Jay Hernandez nesta história de zombies e quartos escuros.
L´Heure d´Eté é mais uma daquelas provas que confirmam que se há cinema na Europa vivo e de boa saúde, esse é o cinema frances. Enquanto que os demais países vivem de um sucesso de ocasião, o vigor da cinematrografia gaulesa é abrumador. Neste filme protagonizado por Julliete Binoche e dirigido por Olivier Assayas, viajamos ao lado mais obscuro de uma familia aparentemente feliz. Até que um súbito desaparecimento descobre todos os podres escondidos durante décadas.

Depois de ter subido à elite (até hoje só outros sete actores tinham conquistado por duas vezes o Óscar de Melhor Actor), Sean Penn prepara-se para descer aos infernos do tráfico de droga em Cartel.
O novo projecto do actor está inspirado num sucesso do cinema italiano dos anos 90, La Scorta, e segue a trajectória de Ed Markel, um homem que parte para o México de forma a resgatar o seu filho de um cartel de droga, responsável pela morte da sua mulher.
O filme terá guião da autoria de Peter Craig e será dirigido pelo estreante Asger Leth. A produção está a cargo de Brian Gazer.
Cartel significa o regresso de Sean Penn ao cinema de acção, onde se começou a afirmar na passagem dos anos 80 à década de 90 com papeis secundários em filmes como Carlito´s Way. A rodagem do filme, que tem estreia marcada para o Verão de 2010, começará no próximo mes de Julho.

Género maldito na sua época dourada, o peplum sempre foi votado ao maior dos desprezos por parte da critica mas soube, timidamente, atrair alguns dos mais consagrados realizadores da história.
Depois do "boom" dos anos 50 e 60 o peplum foi desaparecendo progressivamente ficando relegado a pequenas produções televisivas. Até que chegou Gladiator e ressuscitou o aparentemente morto e enterrado cinema histórico. Depois do esmagador sucesso do filme de Ridley Scott (Óscares incluidos) seguiu-se uma nova vaga de projectos que, no entanto, deixaram muito a desejar. Troy, Alexander, King Arthur foram apostas falhadas e voltaram a levantar o fantasma do insucesso crónico do genero.

Contra todas as perspectivas o peplum está de volta em 2009. A culpa é de Centurion.
O filme de Neil Marshall (autor entre outros de The Descent e Doomsday) viaja 1900 anos na máquina do tempo e transporta o espectador à Britania do século I D.C. A acção desenrola-se no norte do país onde e centra-se numa das campanhas que imortalizou a famosa IX Legião do exército romano.

Na história, um soldado romano, Quintos Diae, sobrevive a um massacre por parte do exército dos Pictos, povo que habitava a zona actual da Escócia, e decide unir-se ao general Virilus na campanha de punição bem dentro do território dos pictos, comandados pelo temivel Gorlacon.
Para o elenco do filme estão já confirmados Michael Fassbender e Dominic West (co-protagonistas, junto a Gerard Butler de 300) e também Noel Clarke. A presença feminina está garantida com a última bond-girl, a ucraniana Olga Kurylenko. A rodagem do projecto começou no passado mes de Fevereiro e o filme tem estreia prevista para finais deste ano.
Ao virar da Esquina é a nova rúbrica do Cinema onde daremos a conhecer com alguns meses de antecipação os projectos cinematográficos mais interessantes do momento.
The Reader não é um filme sobre o vazio. Mas é um filme vazio.




Aos 100.
Morreu ontem Tullio Pinelli, um dos maiores argumentistas da história do cinema europeu, e principal parceiro de Federico Fellini. Juntos escreveram as obras maiores do delirio italiano pós neo-realismo durante quatro décadas. Tinha completado há pouco um século de vida.
Pinelli trabalhou com alguns dos maiores realizadores italianos do pós-guerra (Rosselini, Monicelli, Germi) mas foi ao lado de Fellini que assinou os seus maiores trabalhos. Já tinha uma quinzena de argumentos assinados quando apadrinhou a estreia na realização de Fellini em 1950 com Luci del Varietá. Seguiram-se colaborações em mais onze projectos onde se incluem Il Vitelloni, La Strada, Il Bidone, Le Notti di Cabiria, La Dolce Vita, 8 1/2 e Giuletta degli Spiriti.
Em 1990 assinou o argumento do último filme do realizador La Vocce della Luna. Fellini morreria tres anos depois.
Durante a sua carreira esteve por quatro vezes nomeado ao Óscar de Melhor Argumento e assinou mais de 70 argumentos tornando-se num dos nomes chave da era dourada do cinema italiano. Filho de uma familia aristocratica do norte de Itália (como Visconti com quem nunca trabalharia), Pinelli trabalhou como advogado e jornalista até que foi mobilizado em Roma durante a II Guerra Mundial. Foi aí onde conheceu Fellini com quem, juntamente com Ennio Flaino como co-argumentista e Nino Rota como compositor musical, deu azo a algumas das mais onirícas aventuras da história da sétima arte.

Há sons que ecoam na memória para lá da eternidade e transformam-se na essencia de uma vida.
Há músicas que transformam um filme em algo mais do que um simples projecto cinematográfico. Tornam-no "bigger than life". E acompanham toda a nossa vida muito para além da própria morte.
O terror pode chegar através desses sons. O amor pode ganhar cor com uma balada de fundo. E a épica pode ganhar contornos divinos com uma simples melodía.
Em C´era Una Volta il West (Once Upon a Time in the West, 1968), o cineasta Sergio Leone conseguiu um feito do qual poucos cineastas podem orgulhar-se. Explorou ao máximo o poder do silencio num meio onde o tempo não avança...eterniza-se nas pradarias desertas e casas vazias.
Mas, ao mesmo tempo, soube dotar esta tragédia de tons sofoclianos num portento do terror e do suspense com apenas uma batida. Um simples acorde de harmónica que no silencio sepulcral da noite aterroriza uma inocente Claudia Cardinalle. Um acorde que nos acompanha durante todo o filme até que finalmente nos encontramos com a sua verdadeira origem. E é nesse capitulo final que entendemos o porquê de que sempre que vê Charles Bronson sacar da sua premonitória harmónica, o espectador fica com pele de galinha. E é nesse momento final que entendemos finalmente a verdadeira magia deste som inesquecível.
Para ecoar na eternidade!
Sons Mágicos é uma nova rúbrica do Cinema que arranca hoje neste espaço cinéfilo.

Numa era onde Hollywood se colocava aos pés das loiras explosivas que seguiam a moda lançada décadas antes por Jean Harlow, a "Meca" do cinema rendeu-se a uma actriz que em cada um dos seus papeis consegue explorar a sexualidade apenas com o olhar. Uma actriz que superou a barreira de "menina prodigio" que as suas antecessoras (Temple, Garland, ...) não tinham sabido contornar. E dos dias da jovem traquina que corria ao lado de Lassie já pouco restava quando este rostro se confirmou como a estrela feminina por excelencia do cinema norte-americano.
Elizabeth Taylor consagrou-se definitivamente com The Cat on a Hot Tin Roof.
O filme, uma das adaptações maiores da obra de Tenesse Williams ao cinema, transformou definitivamente a imagem da inocente Taylor - que já tinhamos visto em A Place in the Sun, Ivanhoe ou The Last Time I Saw Paris - e fez dela o icone sexual por excelencia para aqueles que se mostravam fartos do império das loiras que de Harlow e Garbo, passando por Bergman e Kelly e vivendo então os dias dourados de Monroe e Bardot, parecia ter o monopólio da atracção sexual feminina no cinema da era dourada de Hollywood.
Em The Cat on a Hot Tin Roof o sexo está estampado em cada olhar de Elizabeth Taylor. Sempre que ela, Maggie the Cat, olha para Brick, o marido cuja sexualidade é duvidada por todos, há mais sexo do que nas cenas explicitas do cinema de hoje. Constantemente sobre a cama, com um enganoso branco virginal ou sussurrando ao ouvido de Newman - que também aqui se confirma como o adónis hollywoodiano, Elizabeth Taylor define-se com o rostro do prazer e da tentação.
A partir de The Cat on a Hot Tin Roof, a carreira de Liz Taylor cresceu vertiginosamente até ao final dos anos 60, conquistando duas estatuetas douradas e uma série de papeis inesqueciveis. Mas nenhum deles marcaria tanto a sua carreira e a percepção que o Mundo teria daquela mulher, que sempre foi fora do ecrã a mesma ardente personagem que era em cena.
Com este espaço o Cinema inicia uma nova rúbrica dedicada aos Rostros que marcaram a história do cinema.
O que tem em comum Matt Damon e Tom Cruise?
Pouca coisa. Excepto que 2010 poderá marcar a carreira de ambos actores com dois projectos que se movimentam na mesma esfera: os filmes de conspiração politica com Washington como pano de fundo.
Matt Damon - que prepara mais um capitulo da saga Bourne - vai protagonizar o novo projecto de George Nolfi, o argumentista da saga de James Bourne, que escrevirá e dirigirá The Adjustment Bureau.
O filme seguirá a irresistível ascensão de um congressista de Boston em Washington até ao ponto em que este politico promissor conhecido uma bailarina e começa a perceber que, à sua volta, há demasiadas coincidencias para acreditar que não estão envolvidos interesses obscuros na sua nova relação e no cargo que pretende ocupar.

Por sua vez Tom Cruise continua a lamber as feridas. Sim, Valkyrie não funcionou como a enésima tentativa do actor de recuperar o seu bom nome (Tropic Thunder salvou, ironicamente, a cara do actor em mais um ano para esquecer) e Cruise está desesperado por um papel marcante que o volte a transformar no actor mais bem sucedido junto do público. Ou que pelo menos lhe de a estatueta dourada que persegue ansiosamente há mais de 20 anos.
Para isso está disposto a aceitar um papel que desperta pouca empatia junto do grande publico - apesar do seu carisma na realidade - que é a de Presidente dos Estados Unidos.
O filme é The 28th Amendement e será dirigido pelo talentoso Florian Henkel von Donnorsmarc, autor do bem sucedido The Live of Others, grande vencedor em 2006 dos prémios do cinema europeu.
O projecto já tem a luz verde da Warner Bros e viaja até à sala Oval, onde um presidente recem-empossado descobre que quem governo o país na realidade é uma temivel organização secreta que parece estar determinada em afasta-lo do caminho.
Ambos os projectos estão previstos para o Verão de 2010.

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