Ao contrário dos congéneres masculinos, as disputas entre as actrizes não costumam ser tão previsiveis e podem revelar-se mesmo autenticas surpresas, consagrando mais facilmente nomes mais desconhecidos do grande público. Ainda fresco está o exemplo do ano passado onde a favorita e veterana Julie Christie perdeu no sprint final a estatueta para a francesa Marion Cottilard, graças ao seu desempenho La Vie en Rose, que tinha estreado quase um ano antes. O facto dos papeis feminos de alto nível continuarem a ser reliquias num mundo ainda muito voltado para as estrelas masculinas, faz com que a disputa seja sempre mais equilibrada e inesperada. Este ano não foge à regra.





Tal como sucedeu o ano passado a surpresa pode chegar de novo de França. Mas desta vez com um sotaque bem britanico. Kristin Scott-Thomas (nomeada em 1996 por The English Patient) tem sido elogiada vezes sem conta pelo seu desempenho no filme do frances Philip Claudel, Il Ya Longtemps que Je T´Aime. A actriz contará seguramente com os (muitos) votos dos membros britanicos e perfila-se como uma favorita para os prémios da critica. Se isso bastará para arrecadar a estatueta, isso ainda está por se confirmar.
O ano passado falou-se frequentemente de uma provável nomeação e possível prémio. Não se verificou nem o primeiro caso. Este ano Angelina Jolie volta à carga. Depois de ter vencido há oito anos o Óscar de Melhor Actriz Secundária, Jolie tenta agora triunfar na categoria principal graças ao papel a que dá forma em The Changeling de Clint Eastwood. O cineasta que já possibilitou a Meryl Streep e Hilary Swank nomeações (e no caso desta, uma vitória também), construiu um filme à volta da actriz que já tentou ser enfant terrible, sex symbol e agora “mãe exemplar” em Hollywood. Resta saber se depois da expectativa criada o ano passado não se repete o cenário este ano.
A rainha das nomeações continua, ainda hoje, a ser Meryl Streep. Depois de duas vitórias, a actriz procura há anos conseguir a sua terceira estatueta e este ano ataque forte com dois filmes (se bem que Mamma Mia! não é para ser levado muito a sério, a não ser nos Globos de Ouro). Em Doubt é uma austera freira, directora de um colégio, que entra em confronto com um padre professor, que acredita que está por detrás de uma situação mais do que embaraçosa com um dos seus alunos. A actriz mais completa das últimas décadas é sempre favorita em qualquer boletim, e este ano não será excepção.
Também Nicole Kidman parece estar de volta. Depois das nomeações consecutivas que conseguiu a principios da década, a actriz australiana passou por uma fase mais baixa da sua carreira, mas o épico de Bazz Luhrmann, que já a dirigiu em Moulin Rouge, parece ter voltado a colocá-la debaixo do olho do furacão. Em Australia a actriz tenta recriar a mitica “Scarlet O´Hara” em versão australiana. Resta saber se o filme está à altura das expectativas criadas. Se assim for, será complicado que Kidman não alcance a sua terceira nomeação.
Grande parte do sucesso (e apoio) que tem conseguido o filme Rachel is Getting Married deve-se ao desempenho de Anne Hathaway. A actriz que já tinha sido elogiada aquando de Brokeback Mountain e The Devil Wears Prada, dá vida a uma disfuncional e toxicomona suburbana que aparece no casamento da sua irmã para virá-lo totalmente de pernas para o ar. Provável rival de Scott Thomas para conquistar prémios da critica, Hathaway é uma forte candidata a surpreender.
No limbo volta a estar Kate Winslet. Aquela que é, muito provavelmente, a melhor actriz da actual geração, continua a provar, ano após ano, o seu talento. Mas apesar de todas as nomeações conseguidas nos últimos anos, na hora de subir ao palco, as coisas parecem complicar-se. Este ano o cenário pode voltar a repetir-se. Revolutionary Road tem tudo para ser um dos filmes do ano, e tanto o seu marido, Sam Mendes, como Leonardo di Caprio, são prováveis candidatos à estatueta dourada. Mas em relação a Winslet (que tinha ainda The Reader, o regresso de Stephen Daldry, que não se sabe ainda se estreia em 2008) fica no ar a dúvida se poderá voltar a ser nomeada ou se ficará para segundo plano. O que seria, desde já, mais uma injustiça na sua carreira.
Depois desta fortissima (e equilibrada) primeira linha de seis nomes, há uma série de actrizes que podem sonhar (e pouco mais) em conseguir a nomeação. Depois de ter falhado o ano passado ser nomeada por Atonement, Keira Knightley volta à carga com The Duchess que repete a fórmula de Pride and Prejudice. Filme de época, elenco de luxo, muito british e pouco mais. Sally Hawkins é a protagonista surpreendente de Happy-Go Lucky o novo filme de Mike Leigh, uma divertida comédia que tem conseguido também um forte núcleo de apoio. O mesmo se passa com Melissa Leo em Frozen River ou Cate Blanchett em The Curious Case of Benjamin Button.
AS APOSTAS
Kristin Scott-Thomas (Il ya Longtemps que je T´Aime)
Angelina Jolie (The Changeling)
Meryl Streep (Doubt)
Anne Hathaway (Rachel Is Getting Married)
Nicole Kimdan (
ALTERNATIVAS
Kate Winslet (
Sally Hawkins (Happy Go-Lucky)
Keira Knightley (The Duchess)
Melissa Leo (Frozen)
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