Domingo, 25 de Janeiro de 2009
A menos de um mês para a cerimónia, a Academia de Hollywood apresentou o poster oficial desta 81 edição dos Oscares.
Sob o lema "The Biggest Movie Event of the Year", a Academia e a ABC - a cadeia de televisão que emite a cerimónia - vão tentar neste mês dar inicio a uma campanha de marketing que provoque o aumento das audiências, que tem vindo a baixar ano após ano. A ausência de The Dark Knight das principais categorias - o filme mais visto em todo o ano - não ajuda desde já a reverter a tendência e muitos antecipam já para o dia 22 de Fevereiro a cerimónia menos vista da história dos prémios da Academia.
Para atrair o público femino a Academia prescindiu do habitual apresentador-comediante e será o actor Hugh Jackman a servir como mestre de cerimónias. Mais um indicador para aqueles que criticam cada vez mais os Oscares de ser uma festa privada para os membros da Academia e não o grande prémio cinematográfico do ano voltado para o público que o celebrizou no passado.

De Luis Santos a 25 de Janeiro de 2009 às 20:38
Referes-te com algum desdém a Hugh Jackman como apresentador, ou é impressão minha? A mim parece-me uma decisão arriscada, mas que poderá resultar de uma forma cómica. Já viste Jackman a apresentar os Tony Awards? Até tem bastante à vontade e graça.
Vamor ver...
De
Jorge A. a 26 de Janeiro de 2009 às 00:59
"A ausência de The Dark Knight das principais categorias - o filme mais visto em todo o ano - não ajuda desde já a reverter a tendência e muitos antecipam já para o dia 22 de Fevereiro a cerimónia menos vista da história dos prémios da Academia."
Como complemento ao que é dito eu ainda acrescentaria que antes o The Dark Knight fosse só o filme mais visto do ano que eu compreendia a sua exclusão. O problema é que para além disso, foi dos que mais agradou a quem frequenta o cinema. Quanto à tendência de audiência para a cerimónia, os indicadores de box office desta semana assim a acentuam - reveladas as nomeações, o efeito que tiveram sobre a prestação na bilheteira dos filmes foi reduzida.
De Luis Santos a 26 de Janeiro de 2009 às 02:12
Discordo e muito. O salto do Slumdog Millionaire no boxoffice foi enorme, sendo mesmo o filme do top com a maior média de espectadores por sala de cinema. $10,550,000 para um filme com um apelo comercial reduzido, pois não é integralmente falado em inglês e é num estilo Bollywood, coisas que nunca pautaram por um grande sucesso nos cinemas norte-americanos. Para mim o resultado deste fim de semana foi de louvar.
Quanto a The Curious Case of Benjamin Button, Revolutionary Road, The Wrestler, The Reader e The Milk todos aumentaram a facturação em relação ao fim de semana passado e até tiveram médias razoáveis.
O único que se portou realmente mal foi Frost/Nixon, que teve um grande aumento de salas, mas a facturação não foi muito elevada.
De
Jorge A. a 26 de Janeiro de 2009 às 04:03
Caro Luis,
mas saltou e muito comparado com o quê?
O Slumdog é certo que deu um pulo, passou de $5,900,000 para $10,550,000 - mas é tendência que tem origem nos Globos de Ouro e que deve-se ao aumento brutal de pouco mais de 600 salas para 1411 (depois dos Globos de Ouro os distribuidores foram apanhados de surpresa, haviam reduzido o número de salas disponiveis e o filme aumentou em 2 milhões o seu box office). Já agora, se o filme tem um apelo comercial reduzido, é em parte por causa dessa mistificação: o filme é tudo menos um filme com estilo Bollywood. É tudo menos isso, tirando a dança que compõe o ramalhete no final. É por coisas como essa que depois há quem acuse o filme de ser um Bollywood wannabe, quando parece-me que tal nunca foi o objectivo.
Já o Benjamin Button está em nono (fez 6 milhões num universo total de 111 já facturados pelo filme). A semana passada tinha feito 5,6 milhões - que pulo fantástico (e aumentou as salas em exibição para ajudar).
Quanto a quase todos os outros casos que refere, não são pulos, mas resultam em muito da distribuição por mais salas de cinema (aliás, agora é moda com os óscares fazer estrear os filmes de forma limitada e junto de zonas geográficas onde as preferências do público foram estudadas ao pormenor em 2008 e, após alcançada a nomeação, expandir a oferta - mas olhando à receita média por cinema este ano isso não teve grandes resultados. Em grande parte por culpa do Slumdog, que está a apoderar-se das atenções todas só para ele). Repare:
Revolutionary Road: passou de menos de 200 salas para 1058. The Wrestler passou de pouco mais de 100 salas para 566. Milk passou de 223 salas para 250. O Frost/Nixon como diz, passou de pouco mais de 100 salas para 1099. O Doubt está a caminho de desaparecer das salas de cinema. E claro, o único que teve um boom efectivo, um filme em que nem os distribuidores acreditavam, de tal forma que baixaram-lhe o número de salas durante esta semana, foi o The Reader (mesmo assim, quedou-se por um aumento de 10% das receitas de bilheiteira).
E mesmo com tudo isto, tirando o Slumdog e o Benjamin Button, andamos a falar de filmes que se no seu total chegarem aos 20 milhões de box office nos EUA podem dar-se por satisfeitos.
Agora, se quiser, compare os números do box office este ano dos nomeados com estes aqui (não em relação ao bounce que a nomeação dos óscares proporcionou, mas em relação à figura total do box office):
http://www.imdb.com/title/tt0465538/business
http://www.imdb.com/title/tt0783233/business
http://www.imdb.com/title/tt0477348/business
http://www.imdb.com/title/tt0469494/business
http://www.imdb.com/title/tt0467406/business
Sabe as audiências dos óscares o ano passado? O que pensa que vai acontecer este ano? A única dúvida que tenho é até que ponto a mais que esperada vitória de Slumdog (de todos, aquele que cativou mais o moviegoers) vai conseguir captar audiência para a cerimónia (o ano passado sendo o favorito o No Country, este tinha relativamente menos apelo).
Mas de resto os óscares parecem ter como objectivo copiar o esquema da indústria cinematográfica cá do burgo lusitano. O problema é que as "elites" vão gabar-se de como fazem coisas com qualidade, com o problema que para além das "elites", poucos mais vêem tamanhas obras.
Luis,
Em primeiro lugar não tenho nada em contra o Hugh Jackman e conheço bem as suas origens mais cómicas e o trabalho de apresentação de eventos. A critica vai para a Academia que numa tentativa desesperada para conseguir audiencia alterou radicalmente o estilo de cerimónia e preferiu optar pelo lado que vende mais facilmente junto do público feminino, do que propriamente pelo talentoso de mestre de cerimónias, porque, por muito talento que o Jackman tenha como apresentador, os States já possuem uma escola de grandes nomes que dificilmente falham quando se trata de apresentar os Oscares.
Quanto ao sucesso de bilheteira, como o Jorge aponta, e muito bem, o aumento de receitas de alguns filmes é uma falsa questao já que houve também um aumento significativo de salas onde sao exibidos.
Alias, o Milk, caiu abruptamente na media que tinha de espectadores e o Frost/Nixon também nao conseguiu aumentar em muitos os numeros apresentados. O The Reader, Rev. Road e Wrestler estrearam num numero minimo de salas e por isso é normal que agora comecem a fazer dinheiro.
E o Ben Button, que chegou agora à fasquia dos 100 milhoes de dolares, precisa de muito mais se quer dar lucro já que entre o que custou o filme e os gastos de marketing, o filme precisa de fazer quase 300 milhoes de dolares para se tornar bem sucedido no mercado. O Slumdog foi um filme relativamente barato de se fazer e é normal que com todo o hype do mes, agora se comece a notar nas audiencias, mas dificilmente será um dos grandes sucessos do ano.
Curioso é que o Gran Torino, completamente ausente, seja, até hoje, um dos filmes com melhor resultados na bilheteira. E efectivamente, tanto o TDK como o WALL-E nao foram só exitos de bilheteira, conseguiram conquistar criticos e espectadores daí que a sua ausencia dos premios principais vai ajudar a baixar ainda mais os numeros da audiencia que vai em queda livre, especialmente se na vespera já se conhecerem por antecipado quase todos os vencedores.
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