Houve um grande cinéfilo que uma vez apontou que o que fazia grande o cinema norte-americano eram os seus actores secundários. E, efectivamente, essa é uma das grandes vantagens que Hollywood sempre teve. Um leque fantástico de actores de segunda linha (muitos vindos da Broadway) que sempre trouxeram alma humana aos filmes. Mas também um conjunto de verdadeiras estrelas que não tem problemas em aceitar um papel secundário num filme, se a história os conquista. No primeiro caso há exemplos tão marcantes que vão de Walter Brennan (nos anos 30) a nomes como Morgan Freeman (nos dias de hoje). Quanto ao segundo caso, não é dificil ver nos curriculum de autenticas estrelas pequenos mas inesqueciveis papeis secundários. Pela sua complexidade (depende muito do tipo de filme, da campanha que se faz à volta de um actor de entre muitos, …) este é sempre um prémio complexo que tanto pode servir como colorário à carreira de um actor veterano como o prémio a uma jovem promessa. Nesta partida, tudo pode passar!





Se há um papel que tem estado na boca do mundo ao longo do ano, esse é sem dúvida alguma o de Heath Ledger. Muitos arriscam que o vencedor já está encontrado, muito antes de se conhecer a verdadeira dinamica da corrida. Isso explica um pouco o impacto que o Joker criado por Ledger causou. A verdade é que a morte precoce do actor, pouco antes da estreia do filme, ajuda a criar esta sensação de querer premiar postumamente um actor com tanto potencial como o australiano. A verdade é que o seu Joker é uma das mais apaixonantes criações por parte de um actor dos últimos anos. Resta saber se a Academia estará disposta a premiar um papel pouco “recomendável”, isto depois de já ter pisado o risco o ano passado com o prémio atribuido a Javier Bardem. Só que acabou por ser o único actor premiado daquele que foi o melhor filme do ano, e The Dark Night, por muito melhor que seja, não parece ter conseguido o mesmo impacto.
Apesar da vitória em 2005 pelo seu desempenho em Capote, Philip Seymour-Hoffman sempre foi um dos mais interessantes actores secundários de Hollywood. Tem um largo historial de desempenhos marcantes nesta área e este ano parece estar de regresso. Ainda suspensos pela decisão da Dreamworks (que tanto pode optar por apoiar Hoffman como principal ou secundário), a verdade é que, por principio, o desempenho de Hoffman en Doubt encaixa mais nesta segunda categoria. E aqui o actor é sempre um fortissimo candidato. O seu papel de padre, acusado pela directora do colégio onde lecciona de ter relações proibidas com um aluno de raça negra, é o tipico papel para poder brilhar. E a sua popularidade no meio do grupo de actores é grande o suficiente para fazer dele um candidato credível.
Há actores cujo o seu desempenho valem por si, independentemente do seu filme. E depois há os actores com óptimos desempenhos mas que só conseguem chamar à atenção quando estão em filmes previsiveis de serem premiados. Este segundo caso é o de Michael Shannon. Um actor pouco conhecido que no entanto parece (segundo os que viram os screeners) ter um dos melhores desempenhos secundários do ano, como executivo em Revolutionary Road, o novo filme de Sam Mendes. Colocado na linha da frente em todas as casas de apostas, o filme provavelmente conseguirá um bom número de nomeações. E nestas coisas já se sabe, quanto maior é o filme, maior é a probabilidade de ser nomeado em categorias de interpretação, nem que seja para “fazer número”. Uma afirmação que não serve para tirar o mérito para o actor, mas que espelha uma realidade que pode pesar nas contas finais.
Há uma grande incógnita à volta de Milk. O filme de Gus van Sant (que só conseguiu cair nas boas graças da Academia com Good Will Hunting) sobre o primeiro mayor homossexual da história dos Estados Unidos é um projecto polémico (como lhe é habitual). E se no inicio todos falavam no desempenho de Sean Penn, de algum tempo para cá o enfoque tem sido colocado em James Franco. Do vasto leque de secundários (que inclui ainda Josh Brolin, Emile Hirsch, Diego Luna), Franco destaca no papel do jovem amante do protagonista, naquele que dizem ser o mais tocante e convincente personagem da história. Franco é um actor jovem em ascensão que se enquadra no perfil dos potenciais nomeáveis. Um nome a ter em atenção.
Outro nome altamente popular em Hollywood é o de John Malkovich. Este ano o actor (um apaixonado por Portugal), tem dois desempenhos altamente elogiados pela critica. Em The Changeling é a alavanca que permite funcionar o “motor” do filme, Angelina Jolie. E em Burn After Reading, é o tonto de serviço numa comédia de loucos, uma performance só possível num filme dos irmão Coen. Com um ano tão prolifero e com filmes de dois cineastas de culto, Malkovich poderia ver recompensada a sua já larga carreira.
De reserva há para já um bom punhado de interpretações que terão sempre de ser levadas em linha de conta. No caso de W. o filme não logrou convencer a critica, mas o seu elenco acabou por merecer rasgados elogios. E não só Josh Brolin. Tanto Richard Dreyffus como James Crowell foram aplaudidos pelas suas encarnações de Dick Cheeney e George Bush. São dois populares veteranos que podem entrar bem nas contas finais. O mesmo se passa com Ralph Fiennes, que em The Duchess secunda Keira Knightley. Fiennes, um dos mais talentosos actores britanicos das últimas décadas, há muito que procura o Óscar e este ano, apesar de não estar na linha dos favoritos, pode voltar a conseguir uma nomeação. Expectante do sucesso dos seus filmes estão Jamie Bell e Liev Schreiber (Defiance) e Tobey Maguire (Brothers). Já Bill Irwin é um nome bem visto pelo sector mais “indie” ao ser o único elemento masculino de destaque em Rachel Is Getting Married. Javier Bardem volta às costas pelo seu desempenho em Vicky Cristina Barcelona enquanto que Peter O´Toole continua a tentar conquistar a “maldita” estatueta, desta vez com um tocante papel em Dean Spanley. E ainda há Michael Sheen, que de lutar contra o seu companheiro de elenco, pode ser subtilmente transferido para esta categoria, onde se pode transformar automaticamente em forte candidato final ao prémio, em Frost/Nixon.
AS APOSTAS
Heath Ledger (The Dark Knight)
Philip Seymour-Hoffman (Doubt)
Michael Shannon (
James Franco (Milk)
John Malkovich (The Changeling)
ALTERNATIVAS
James Cromwell (W.)
Ralph Fiennes (The Duchess)
Bill Irwin (Rachel is Getting Married)
Peter O´Toole (Dean Spanley)
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