O Festival de Cinema de Berlim forma parte da trilogia sagrada da rota dos festivais de cinema europeu, junto com a Croisette de Cannes e as gôndolas de Veneza. É um filme quase atípico pela sua data – imediatamente no começo do ano – servindo muitas vezes de carta de apresentação para o que se poderá ver ao largo dos meses seguintes. E é também, provavelmente, de todos os festivais europeus aquele que mais destaque dá ao cinema made in USA.
No entanto o Urso de Ouro de Berlim não fica atrás em prestígio à Palma ou ao Leão dourado dos seus “rivais” de Cannes e Veneza e é, sem dúvida alguma, um dos prémios mais apetecidos da competição cinematográfica. Este ano o festival volta a trazer uma série de filmes de grande qualidade que, de 5 a 15 de Fevereiro, vão fazer da capital germânica o centro do mundo cinéfilo.
The Internacional – do alemão Tom Twyker – vai abrir o festival. Trata-se de um alucinante thriller de espionagem protagonizado por Clive Owen e Naomi Watts. O filme centra-se na figura de um “desperado” que decide saltar fora das normas da lei de forma a poder parar uma importante rede de traficantes que utilizam um banco como disfarce para a sua real actividade. O filme conta ainda com Armin Mueller Sthal, Jack McGee e Ulrich Thomsen e está igualmente na secção competitiva do festival.
Em competição estão igualmente alguns dos filmes mais esperados do ano do cinema norte-americano. The Reader – o novo de Stephen Daldry coroado com cinco nomeações aos Óscares – Mammoth de Lukas Moodyson, Me One and Only (Richard Loncraine), Notorious (George Tillman Jr, num filme sobre o rapper Notorius B.I.G.) ou The Messanger (Over Moreman)
Do Reino Unido chegam as novas propostas de Stephen Frears (Cheri com Michelle Pfeiffer e Kathy Bates), Sally Potter (Rage com Judi Dench), London River (de Rachdi Bouchareb) enquanto que François Ozon (Ricky) e Bernard Tavernier (In the Electrical Mist) representam a filmografia francesa em competição.
Outros dos grandes destaques na luta pelo Urso de Ouro serão certamente os novos filmes de Chen Kaige (Forever Enthrailed), Costa-Gravas (Éden à L´Ouest), Theo Angelopoulos (I Skoni Tou Chrono) ou Andrezj Wadja (Tatarak). Entre os menos conhecidos, as apostas recaem em La Teta Asustada da peruana Cláudia Llosa ou Storm de Hans Christian Schmidt.
Fora de competição vão desfilar igualmente por Berlim uma série de projectos a ter na retina. São os casos, por exemplo, de Adam Ressurected (Paul Schrader), An Education (filme de Lone Scherfig que acaba de sair em ombros de Sundance), Ai No Mukidashi (do japonês Sono Skin), El Niño Pez (Lúcia Puenzo), Eoddeon Gaien Na (Lee Sun-Gyung) ou Litle Soldat da dinamarquesa Annette K. Olesen.
O festival vai igualmente aproveitar os dez dias de puro cinema para realizar uma retrospectiva aos grandes clássicos de Hollywood do final dos anos 50 e princípios da década de 60. Serão exibidas versões restauradas de clássicos como 2001: Space Odity, Ben-Hur, Patton, The Sound of Music, Cleópatra, Khartoum ou Hello Dolly! Quem será igualmente alvo de homenagem é o compositor francês Maurice Jarre com reposição de alguns dos seus melhores trabalhos entre os quais Lord Jim, Ryan´s Daughter e Lawrence of Arábia.
Alvos de especial tributo vão ser o realizador português Manoel de Oliveira, que estreia no festival o seu último filme, Singularidades de Uma Rapariga Loura, com Ricardo Trepa como protagonista, bem como o francês Claude Chabrol que apresenta o seu último projecto, Bellamy, com Gerard Depardieu e Clóvis Cornillac no elenco. O cineasta local homenageado este ano será Gunter Rohrbach.
O júri da edição deste ano do festival – que cumpre a sua edição 59 - será presidido pela actriz Tilda Swinton é composto igualmente por Isabel Coixet (cineasta espanhola), Gaston Kaboré (o nome mais celebre do cinema do Burkina Faso), Henning Mankell (escritor multipremiado), Christoph Schlingensief (director de opera e teatro germânico), o cineasta norte-americano Wayne Wang e pela productora Alice Waters.