O único lamento é que seja um prémio póstumo. Mas, por muito mórbido que parece, esse triste facto torna o triunfo ainda mais mítico.
The Joker será, no futuro, a personagem do ano. Mais do que Jamal, mais do que Ben Button. Mais até do que WALL-E. Um desempenho assombroso e uma personagem para a história. Um Óscar mais do que merecido para Heath Ledger. E garantido desde já.
Por isso mesmo esta é uma categoria que oferece pouca discussão. Philip Seymour Hoffman é excelente mas está na categoria errada. Michael Shannon é fabuloso mas falta-lhe mais cartaz. Robert Downey Jr consegue o equivalente a Mickey Rourke mas em menor dimensão (e ser uma comédia não ajuda…apesar de que o verdadeiro comeback foi há três anos com Kiss Kiss Bang Bang). E por fim, Josh Brolin, o prémio de reconhecimento por dois anos fabulosos com papeis excelentes.
Mas no final pouco interessa. The Joker is in the house. All we need is a little bit of anarchy...and set the house on fire…
E O ÓSCAR VAI PARA
É provavelmente – a par de WALL-E – o prémio mais óbvio e justo do ano. É indesmentível que exista algum desempenho em 2008, seja principal ou secundário, mais espantoso e cativante do que o de Heath Ledger em The Dark Knight. Um papel que entra para a história e que dá um Óscar póstumo a um dos actores mais talentosos da sua geração.
RIVAL
Se houvesse algum actor – por nome e performance – capaz de fazer sombra a Ledger, esse obviamente seria Philip Seymour-Hoffman. Vencedor do Óscar de Melhor Filme em 2005 por Capote (curiosamente arrebatou-o a Ledger) o actor nova-iorquino é assombroso no seu papel de sacerdote sob acusação em Doubt. De tal forma que é inevitável pensar que está nomeado na categoria errada.
SURPRESA
De todos os candidatos há um que destaca pela alta produtividade. Josh Brolin teve um segundo ano de sonho. Depois de ter partilhado o sucesso no ano passado em No Country For Old Men, em 2008 ofereceu mais dois papeis marcantes, o de Bush em W. e o do assassino de Harvey Milk no filme sobre o politico homossexual que marcou a politica norte-americana do final dos 70. Seria sempre uma vitória baseada no reconhecimento do ano, já que no próprio filme há melhores performances, mas se há um actor em grande forma na actualidade, ele é sem dúvida Josh Brolin.