Curiosamente (e ao contrário do que tem sido habitual), este ano é na categoria de Melhor Argumento Original que se encontram as histórias que mais moça podem fazer na luta pelo prémio principal. Uma competição ainda mais interessante se a esses juntar-mos filmes que, habitualmente, possuem todos os condimentos para triunfar nesta categoria, habitualmente mais preparada para valorizar a irreverencia de jovens autores, especialmente do circuito “indie”.





Filha de peixe sabe nadar. O sucesso até ao momento de Rachel Is Getting Married é muito em parte devido ao sucesso do seu argumento, assinado por Jenny Lumet, a filha do cineasta Sidney Lumet. A história de uma familia disfuncional da classe média nova-iorquina, onde nada é o que parece, e onde todos tem algo a esconder, é a base para que a jovem argumentista consiga arrancar algumas das tiradas mais mordazes do ano. Muito a ter em conta.
“Habitué” destas andaças, Charlie Kauffman está de regresso, agora partilhando a escrita do argumento com a direcção de Synedoch, New York. O filme, uma série de histórias que tem por base, já se adivinha, Nova Iorque, traz toda a genialidade habitual de Kauffman em dose extra, já que, pela primeira vez, o escritor também é o director da orquestra. Um dos filmes mais aplaudidos deste Outono, é um dos “dark horses” do ano, mas que nesta categoria se torna num dos principais favoritos a conseguir a nomeação.
É grande a curiosidade à volta de Australia, a nova aventura megalómana de Bazz Lurhmann. O projecto demorou anos a andar para a frente e supostamente está para o cinema australiano como Gone With the Wind esteve para Hollywood. Palavras maiores de um autor habituado a surpreender. O argumento do próprio cineasta (em conjunto com Stuart Beattie) serve de base para a história de amor a que dão vida Nicole Kidman e Hugh Jackman, num dos filmes com maior ponto de interrogação do ano.
Milk traz o selo de Gus van Sant. Para além da polémica sempre habitual num cineasta que gosta de transgredir, o filme que conta a história da ascensão e queda de Harvey Milk, o primeiro autarca norte-americano assumidamente homossexual, é um quebra-cabeças para um América que se dá mal como temas de forte divisão moral e social. Resta saber se Hollywood está preparada para um filme que recupera o espirito de Brokeback Mountain.
O cinema de animação tem vindo a conquistar, ano após ano, cada vez mais adeptos. E isso quase exclusivamente graças ao cinema da Pixar. 2008 vai voltar a ser, como tem sucedido repetidas vezes, um grande ano para o cinema de animação. Neste caso a culpa tem um simpático robot, Wall-E (a bondade Humana versão máquina) que serve para alertar o Mundo do grave problema ecológico que estamos a viver neste virar de milénio. O filme de Andrew Stanton, que também escreve o guião, é uma das obras maiores do ano. E um justissimo candidato a nomeação final (e prémio, já agora!).
Clint Eastwood volta este ano com dois filmes. Um cenário já conhecido mas que este ano tem a curiosidade de um deles ter argumento original, e não ser uma adaptação, como é o mais habitual. Trata-se do guião de J. Michael Strazynscky que relata a história de uma mãe e da sua interminável busca pelo seu filho desaparecido. The Changeling pode não ter tanto admiradores como é habitual nos últimos filmes do cineasta, mas não deixa de ser um candidato de respeito.
De entre os restantes candidatos há um vasto leque a ter em linha de conta, até porque esta é uma das mais concorridas e equilibradas corridas do ano. Desde o argumento de Stanley Weiser em W. (que muitos acusam de mostrar um George W. Bush do qual se termina por ter “pena”), a The Wrestler, ou o ressuscitar de um boxeador sob a forma de Mickey Rourke, escrito por Robert D. Seagal há espaço para um pouco de tudo. Ainda temos de falar de Ethan e Joel Coen (sim, outra vez) por Burn After Reading, Courtney Hunt (autora de Frozen River, um dos filmes “indie” mais falados do momento) ou Defiance (a história de Edward Zwick que falta saber se cumpre os habituais requisitos dos filmes sobre judeus na II Guerra Mundial, tão apreciados em Hollywood).
AS APOSTAS
Jenny Lumet (Rachel is Getting Married)
Charlie Kauffman (
Andrew Stanton (Wall-E)
Gus van Sant (Milk)
Bazz Luhrmann e Stuart Beattie (Australia)
ALTERNATIVAS
Joel e Ethan Coen (Burn After Reading)
J. Michael Strazyncski (The Changeling)
Robert D. Seagal (The Wrestler)
Stanley Weiser (W.)
Courtney Hunt (Frozen River)
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