Chega atrasado uns meses mas mesmo assim será curioso ver este critico olhar do cineasta alemão Tom Twycke sobre a corrupção no mundo financeiro que, para a esmagadora maioria, está por detrás deste crise indecifrável que nos atinge em força.

The Internacional é um desses filmes que perdeu o timing. Uns meses antes poderia ser visto como um projecto visionário. Hoje é a confirmação de um ponto de vista que cada vez ganha mais adeptos. Um olhar cru e cínico ao mundo financeiro em tom de thriller, um recuperar do ideal de Three Days of the Condor, esse filme que marcou um turning point no cinema de acção politica critica da década de 70. Desta vez mais do que um perseguido, temos um vingador. Um homem disposto a tudo – mesmo passar para o lado de lá da ilegalidade – para destruir uma poderosa entidade financeira, responsável por uma série de atentados e golpes que funcionam apenas como alavancas para aumentar o seu controlo na sombra das grandes instituições mundiais.
Um filme que dá a volta ao mundo sobre o rosto vingativo de Clive Owen – no género de papeis que já o consolidou definitivamente, mas que, voltamos a insistir, limitam enormemente o potencial deste magnifico actor – que conta com a companhia sempre interessante de Naomi Watts, como uma improvável ajudante.
De Twycker recuperamos o espírito frenético de Run, Lola Run, e o olhar mais europeu sob um fenómeno que nos Estados Unidos parecem ainda não assimilado por completo. Um filme que teve boa recepção em Berlim e que chega agora a Portugal. Recomendado para certas figuras públicas, incapazes de ver para lá do evidente e superficial.
Esta semana estreiam também:
Continua a tradição portuguesa de repescar obras do mais alto da nossa literatura e transforma-las em adaptações modernas sem fundo nem forma. Amor de Perdição segue pelo mesmo caminho. Do romance (e da boa adaptação de Oliveira) herda apenas o nome e algumas das personagens. Mário Barroso encarrega-se de seguir a moda de O Crime do Padre Amaro, de forma menos escandalosa, e com um elenco que alterna bons actores nacionais (Beatriz Batarda, Ana Padrão, Paulo Pires) com nomes à procura da fama (Tomás Alves, Patrícia Franca, William Brandão).

Dennis Lee juntou um elenco repleto de nomes familiares (Júlia Roberts, Ryan Reynolds, Willem Dafoe, Emily Watson, …) neste drama familiar onde os segredos mais escondidos se revelam. Fireflies in the Garden tem esse toque indie que, no entanto, não acaba de funcionar a longo prazo.

Alex Proyas – há uns anos um polémico visionário capaz do melhor (Dark City) e do mais superficial (I, Robot) – era tido como um cineasta de respeito. Hoje o egípcio viu a sua carreira descer uns furos, a ponto de não surpreender muito vê-lo por detrás deste Knowing, mais uma tentativa de Nicholas Cage de provar que ainda corre e salta como um adolescente em filme de alta tensão. O poder psíquico da personagem de Cage é o centro deste thriller em tons de cinema catástrofe, mas que entra directamente naquele grupo de filmes que aumentam, a cada ano que passa, o grupo de detractores de Hollywood. E com razão!

The Ruins é um exercício curioso para ver sobre que terrenos se move actualmente o terror australiano. Carter Smith dirige este filme com elenco mais ou menos desconhecido (Jonathan Tucker, Jena Malone, Shawn Ashmore), onde um grupo de jovens descobrem nas ruínas mexicanas de um templo azteca um ser assustador que fará de cada um dos seus dias na selva um terror constante.
